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terça-feira, 10 de setembro de 2019

A HISTÓRIA DE ROMA E OS RAPTO DAS SABINAS.




               Para melhor entender  o rapto das sabinas vamos relembrar um pouco da história de Roma; como se deu o aparecimento de Rômulo e Remo. 
                 Ela começa por um período mais ou menos clássico ou lendário, durante o qual reinaram sete reis sucessivos  (de 754 a 510 a. C.). 
                  
                  A história mais antiga dos povos e das cidades se confunde geralmente com a lenda de Rômulo e Remo. Essa lenda se entrelaça com aquela da famosa guerra de Troia, cantada também pelo poeta Homero, na Ilíada, que foi travada mais de mil anos antes de Cristo, na longínqua Ásia menor. 
              Conta-se que, quando os gregos, vencedores, conquistaram e arrasaram aquela cidade, todos os heróis troianos foram massacrados, com exceção de Enéas, filho de Aquiles e da deusa Vênus. Ele conseguiu fugir da cidade em chamas, com seu filhinho Lulo e o velho pai Aquiles e, depois de uma longa e aventurosa viagem, chegou às costas do Lácio, onde vivia o povo dos latinos. Com a ajuda de outros povos locais, combateram contra aqueles e em particular contra os Rútulos, cujo rei, Turno, queria desposar lavínia, filha do rei dos latinos. Também Enéas aspirava á mão daquela princesa e, por desejo de Turno, homem forte e violento, realizou-se um duelo. Enéas, certo de seu destino de herói, atacou impiedosamente seu adversário e em breve sua espada caiu sobre Turno e matou-o. Enéas casou-se com Lavínia, tornando-se rei dos latinos. Lulo, seu filho, fundou uma cidade, denominada Alba, que, devido às suas casas dispostas em longa fileira, foi depois chamada de Alba a Longa
                  Desta cidade não tivemos notícias até o século VII a.C., quando, segundo a lenda, subiu ao trono de "Alba a Longa", Numitor. Amúlio, irmão do rei, mediante uma conspiração, depôs Númitor do trono e declarou-se rei de "Alba a Longa", obrigando Rea Sílvia, única filha do irmão, a tornar-se Vestal. As Vestais, inteiramente consagradas ao culto da deusa Vesta, não podiam casar, sob pena de morte. E essa foi a sorte de Rea Sílvia, quando Amúlio soube que ela tivera dois filhos do deus Marte. Segfundo os usos daquela época, a mulher foi enterrada viva e os dois gêmeos atirados ao Rio Tibre. 
                   Mas o servo, que deveria executar a ordem, pusera o cesto, onde se encontravam os dois meninos, sobre as águas do rio. O cesto encalhou entre os caniços das margens e os pequenos foram encontrados por uma loba que, ao invés de dilacerá-los, amamentou-os e protegeu-os. 
                 Mais tarde, o pastor Fáustolo recolheu-os, levou-os para sua choupana e criou-os como filhos e deu-lhes os nomes de Remo e Rômulo. Ao chegarem à idade adulta, Remo e Rômulo conheceram sua origem e em seus corações acendeu o desejo de vingar-se do usurpador. Mataram Amúlio e reconduziram ao trono Númitor, que desde longos anos mofava prisioneiro. 
               Em agradecimento, Númitor doou aos sobrinhos uma área de terra à margem esquerda do Tibre, não distante do ponto em que o pastor os encontrara. Os dois irmãos puseram mãos à obra, traçando, antes de tudo, o sulco que iria limitar a nova cidade. Era o dia 21 de abril do ano 753 A. C.  Como ambos desejassem dar o próprio nome à cidade, resolveram interpretar a vontade dos deuses, estabelecendo que aquele dos dois que visse voando maior número de pássaros seria o escolhido. Subiram a dois morros diferentes; Remo foi para o Aventino e viu sete abutres, e Rômulo, sobre o Palatino, avistou doze aves. A cidade de Rômulo passou a chamar-se Roma. Isto é o que conta a lenda. Mas é provável que o nome Roma significasse "a cidade do rio", e, em tal hipótese, dever-se-ia conjeturar que o nome de Roma não deriva de Rômulo, mas Rômulo e Roma:  Rômulus, o mítico fundador da cidade, o primeiro cidadão romano. 
                   Remo, desesperado, devido à vitória do irmão, ultrapassou, em gesto de desespero, o sulco; e Rômulo, tomado de cólera, matou-o impiedosamente, de mostrando, assim, que a ninguém era permitido ultrajar Roma. 
                  Quando tudo ficou pronto Rômulo acolheu os primeiros habitantes em seu pequeno povoado: eram bandidos salteadores obrigados a fugirem de suas terras, pastores sem morada fixa, homens rudes e ferozes. Foram esses os primeiros romanos, os progenitores daquele povo que iria conquistar o mundo. 
                   Dessa forma, Rômulo foi o primeiro rei de Roma, e conduziu várias guerras contas as aldeias vizinhas. Isso feito, dedicou-se também às terefas de paz. Dividiu a população em tribos e fez-se assistir por uma assembleia, denominada "senado", porque constituía de cidadãos já em idade avançada. 
                Mas a população da cidade era formada exclusivamente por homens; então (sempre segundo a lenda), Rômulo organizou uma festa em honra de Netuno e convidou para esta, as famílias de um povo limítrofe, os Sabinos . E, quando os jogos estavam mais animados do que nunca, Rômulo fez um sinal aos romanos, e estes atiraram-se para cima das moças sabinas e, entre o espanto dos sabinos, levaram-nas rapidamente para sua cidade. 
                 Os sabinos tomaram armas contra os romanos, mas as mulheres sabinas se intrometeram (estavam gostando da nova vida) entre os pais e os maridos, os quais acabaram confraternizando e resolveram fundir-se num só povo, embora conservando cada qual seu próprio rei.  Tito Sácio, que era rei do sabinos, foi morto, e Rômulo passou a reinar sozinho. estava, porém, convencionado que ao morrer este, seria eleito um rei sabino. E isso aconteceu quando, durante uma revista militar, desabou um tremendo temporal e Rômulo despareceu misteriosamente. Espalhou-se a notícia de que ele tinha assassinado pelos seus inimigos políticos, mas os senadores afirmam que o deus Marte o raptara em um carro de fogo, levando-o para o céu. 
                Rômulo foi, então, considerado um deus e adorado sob o nome de Quirino. O novo  rei sabino foi Numa Pompílio; religioso e pacífico, ele deu sábias leis ao seu povo, dividiu o ano em doze meses e erigiu um templo em honra ao deus Jano, cujas portas permaneceriam fechadas durante o tempo de paz e abrir-se-iam em tempo de guerra. 
                 O terceiro rei, Túlio Ostílio, foi, ao invés, belicoso. mandou arrasar "Alba a Longa", depois do combate entre os Horácios e os Curiácios. Os primeiros três irmãos romanos deveriam enfrentar em combate os segundos três irmãos curiácios. Dois dos Horácios já haviam tombado. O supérstite fingiu fugir, e os adversários passaram a persegui-los. Assim, ele pode enfrentá-los isoladamente e matá-los. 
              Anco Márcio, que sucedeu a Túlio Hostílio, era neto de Numa Pompílio. Foi um rei sábio e pacífico. Mandou construir a cidade e o porto de Ostia, a ponte Sublício e o cárcere Mamertino. 
              Os últimos três reis, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Sábio, foram etruscos. O primeiro, após haver usurpado o trono de Anco Márcio, derrotou os latinos e os sabinos. Mandou construir aquedutos, o Circo, o Fórum e a Cloaca Máxima. Sérvio Túlio foi o primeiro a criar moeda, por peio de cunhagem. Ampliou Roma, dando-lhe novas muralhas e deu ao povo uma constituição menos dura, o que lhe valeu a inimizade dos patrícios. Aproveitando-se do desconhecimento, o genro, Tarquínio, assassinou-o e tornou-se o último rei de Roma, sob o nome de Tarquínio, o Soberbo. Mandou matar cidadãos e sanadores e rodeou-se de um corpo de guardas armados daqueles fsci littri que, de origem etrusca, permaneceram para sempre como símbolo de autoridade e de justiça. 

               A República foi proclamada em 510, quando a população romana era, então, resultante da fusão dos romanes (tatinos), dos ticienes (sabinos) e dos luceres (etruscos). A implantação da república deu lugar à criação de novas funções, tais como o Consulado e a Ditadura. As lutas entre patrícios e plebeus duraram até o ano 300 da nossa era. Após consolidar seu interior, Roma passou à conquista da Itália (296 a 270) e, de 264 a 201 travou as duras guerras púnicas contra Cartago, que só terminaram com a destruição dessa grande rival, em 146 (terceira guerra púnica. A seguir, Roma reduziu a Grécia a província romana, intervindo no Oriente, mas passando a receber a influência benéfica dos helenos derrotados. Em breve tempo Roma se tornou senhora do mundo de então e, em 31 a. C. Otávio, seu grande general, foi proclamado imperador (imperatur), sob o nome de Augusto. Com a morte deste (em 14 depois de  Cristo) o poder supremo passou aos Césares (Tibério, Calígula, Claudio, Nero, etc.) e depois aos Flávios (Vespasiano, Tito e Domiciano). 
                

quarta-feira, 10 de abril de 2019

O LEÃO COM SEDE - Nicéas Romeo Zanchett


Um leão que vivia na savana africana, durante o período de seca, ficou perambulando à procura de água. Estava com muita sede ate que finalmente encontrou um lago. 
Correu imediatamente para matar toda aquela sede que o devorava, mas chegando lá, ao olhar a água viu a imagem de um enorme leão. Era sua imagem, mas ele julgou que fosse de um inimigo. Então afastou-se imediatamente sem beber nada. 
Por várias vezes visitou o lago, mas sempre via a imagem de um leão e fugia. 
Os dias se passaram e ele não bebia nada. A sede aumentava muito e ele corria o risco de morrer.
Finalmente tomou a decisão; iria enfrentar aquele leão a qualquer preço, pois, caso contrário morreria mesmo. Ele aproximou-se do lago e quando tocou a água aquela imagem de leão desapareceu.
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Moral da história: Não devemos fugir dos perigos imaginários. Muitos pensamentos negativos predominam a ponto de impedir alcançar aquilo que se almeja. Enfrente seus medos e verá que são menores do que você.  

terça-feira, 9 de abril de 2019

O CAVALO E O PORCO - Nicéas Romeo Zanchett



Um certo fazendeiro tinha muitos cavalos, mas ambicionava comprar um belo animal do seu vizinho. Era um cavalo de corrida que sempre vencia. 
Depois de muito insistir, seu vizinho concordou em vendê-lo por uma bela soma. Foi um dia de muita felicidade. Porém, passados trinta dias, o cavalo adoeceu; ele então chamou o melhor veterinário da cidade. 
Disse o veterinário: - Seu cavalo está com uma grave virose; vou receitar este remédio que deverá tomar durante três dias. Entretanto, se ele não melhorar é melhor que seja sacrificado para não contagiar os outros cavalos. Volto daqui a três dias. 
O porco assistiu e escutou toda aquela conversa. Os remédios foram dados, mas o cavalo não melhorava. O animal estava muito desanimado, então, o porco se aproximou dele e lhe disse: 
- Caro amigo, se você não se levantar vai ser sacrificado amanhã. Faça um esforço e levante.
- Vamos lá, amigo, levante se não vai morrer! faça um esforço que eu te ajudo. 
No terceiro dia o veterinário voltou, e vendo que o cavalo ainda estava mal, disse ao seu dono: - Não adianta, ele precisa ser sacrificado para não contaminar os outros. Em seguida foi embora. 
O porco, vendo aquilo, aproximou-se do cavalo e lhe disse: - Amigo, é agora ou nunca; vou ajudá-lo levantar-se. Então o cavalo fez um esforço e levantou-se. Para provar que já estava bom saiu correndo pelos campos. O porco, com o amigo recuperado e sem risco de ser sacrificado, ficou muito feliz. 
De manhã, bem cedo, o fazendeiro chamou seu filho e lhe disse: - Vamos dar uma festa e convidar o veterinário. Mate o porco e compre bebidas para comemorarmos. 

Moral da história: Nem todo o bem que se pratica é reconhecido. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O CAMPONÊS E A SERPENTE - Por Nicéas Romeo Zanchett




               Um velho camponês muito bondoso andava pela fazenda quando viu uma fumaça vindo da floresta. Montado em seu cavalo entrou pelo bosque e foi até aquele local para ver de perto o que estava acontecendo. Viu que ali havia uma fogueira acesa e junto a ela uma grande serpente que tentava escapar do fogo. As chamas estavam aumentando e cercando a serpente que tentava fugir da morte certa. Quando ela viu aquele homem arriscou-se a pedir ajuda. 
               - Meu caro senhor, estou desesperada. Preciso de ajuda se não vou morrer.
               - Calma senhora serpente. Não se preocupe que irei ajudá-la. Disse-lhe o camponês. 
               As serpentes tem fama de serem animais perigosos e traiçoeiros por seu veneno mortal. No folclore popular elas passaram a ser consideradas inimigas de todos os outros animais. Mas na verdade elas tem grande importância no equilíbrio da natureza. Se não fosse assim não existiriam. 
               "Quem semeia boa ações sempre colhe bons resultados", pensou o bondoso camponês. Em seguida pegou um saco que trazia consigo e amarrando- a uma vara comprida estendeu-a por cima das chamas  para a serpente. Esta, já sentindo-se aliviada, pulou imediatamente para dentro do saco. 
               Após tê-la salvo da morte, o camponês já se preparava para partir e então disse à serpente: - Agora pode continuar seu caminho e cumprir seu destino junto a toda essa natureza. Pensou consigo mesmo que, apos este episódio, a serpente teria alguma gratidão para com os homens.
               Estava saindo quando a serpente o interpelou: - Espera um pouco senhor bom feitor. Eu preciso cumprir meu destino antes que se vá.
               - E que destino é esse de que falas? 
               - Senhor, vou inocular meu veneno em seu cavalo e no senhor. 
               - Mas isto é ingratidão, respondeu-lhe o camponês. 
               - Ora essa! pagar boas ações com más ações e benefícios com ingratidão é o que o senhor e todos os outros humanos fazem todos os dias. 
               - Dizes isso, mas não podes provar; é uma afirmação caluniosa, respondeu-lhe o camponês. Se conseguir provar aceitarei seu castigo e pagarei pelas culpas de meus semelhantes. 
               - Eu aceito o desafio e provarei o que estou afirmando. Vamos ouvir o que diz aquela vaca leiteira que está li pastando. E juntos foram até a vaca e pediram sua opinião.
               A vaca então lhes falou: - Eu tenho uma triste experiência; sempre fui explorada pelo meu dono; tenho sido-lhe útil fornecendo-lhe leite, manteiga, queijo; mas agora que estou velha e que já não consigo ser como antes, ele me pôs para pastar e engordar, pois vai me mandar para o açougueiro que irá matar-me e assim poderá comer minha carne. Isso certamente é que se chama de pagar o bem com o mal. 
                Diante de tal declaração a serpente, tomando a palavra disse:  
                - Que me dizes agora bondoso camponês? Devo seguir seu costume e tratá-lo como devo. 
                O camponês, bastante intrigado com a resposta da vaca, pensou rapidamente e respondeu: 
                - Isto só pode ser um caso isolado, vamos buscar outra resposta. 
                - Com todo o gosto, respondeu a serpente; interroguemos esta árvore que aqui está. 
                A árvore que havia testemunhado toda aquela discussão, deu seu parecer sem exitar: 
                - A muito tempo que cheguei à conclusão que os homens sempre pagam boas ações com más ações. Eu dou abrigo a todos os viajantes que passam por aqui; dou-lhes sombra, deliciosos frutos para comer e um ótimo líquido para beber; e, contudo esquecem disso e cortam meus galhos para fazer cabos de ferramentas e até lenha para suas fogueiras; sei também que meu destino é o mesmo de outras irmãs que tiveram seu corpo fatiado em tábuas na serraria. Acho que isto é a mais covarde das formas de pagar o bem com o mal. 
                Naquele momento passava por ali um velho cão. A serpente então dirigiu-se  a ao animal andarilho e pediu: 
                - Senhor cão, gostaríamos de ouvir a sua história de vida. 
                Um pouco espantado com tal pedido ele assim falou:
                - Minha história de vida?  Acho que não vai gostar, pois é muito triste. E continuou: Passei toda a minha vida ao lado de um fazendeiro. Todos os dias saíamos para caçar e eu o ajudava sempre, muitas vezes correndo grandes riscos. Sempre que ele estava por perto eu mostrava minha alegria abanando minha cauda. À noite ficava de plantão, tomando conta da casa, para que ele pudesse descansar sem perigo. Agora que estou velho ele me mandou ir embora e cuidar da minha vida. Neste momento estou indo para a floresta onde pretendo morrer em paz. 
                A serpente então perguntou ao camponês se ele estava satisfeito ou queria outra prova.
                 Diante de tantas provas o camponês estava totalmente confuso e sem argumentos. Mesmo assim, esperando escapar ao perigo de ser picado, disse o seguinte: 
                 - Peço mais um favor e prometo que será o último: Quero ser julgado pelo primeiro animal que encontrarmos. Gosto muito da minha vida e não quero perdê-la por ter-lhe feito um bem. 
                 Neste momento eis que surge uma velha raposa que costumava andar por ali. A serpente então deteve-a para por fim à discussão. 
                 A raposa quis saber qual o assunto que os incomodava tanto, ao que o camponês prontamente respondeu: 
                - Eu salvei esta serpente da morte na fogueira e em retribuição ela quer picar a mim e ao meu cavalo; e ainda diz que é a forma certa de retribuir o bem que lhe fiz. 
                - Se ela quer proceder contigo como procedes com os outros é melhor não pedir nada extraordinário, respondeu a raposa; mas para que eu cabalmente possa servir de juiz, diga-me qual o serviço que lhe fizestes. 
                Pensando que esta seria a oportunidade de defender-se, o camponês contou-lhe tudo o que se passara; disse que tinha salvo a serpente da morte e agora ela estava querendo vingança. 
               - O que! disse a raposa com uma gargalhada;    Queres então que eu acredite que uma serpente tão grande coube nesse saco tão pequeno? Isto é impossível! 
               Tanto o camponês como a própria serpente lhe afirmaram que fora exatamente assim.; mas a raposa não quis acreditar. Por fim disse: 
                - Não adianta insistir que nenhuma palavra irá me convencer; mas irei acreditar se a serpente entrar novamente no saco e então darei minha opinião. 
                 - Com muito goto, respondeu a serpente, e em seguida entrou no saco.
                 Então a raposa disse ao camponês: 
                 - Agora tens em teu poder a vida do teu inimigo; e a mim parece que não te custará muito decidir o que deves fazer a um monstro tão ingrato. 
                 O viajante então, atando a boca do saco, passou a bater com uma vara até esmigalhar a serpente. 
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MORAL DA HISTÓRIA: É preciso ter prudência e não confiar nas boas intenções de um inimigo.
Nicéas Romeo Zanchett

domingo, 11 de junho de 2017

A HISTÓRIA DE SANSÃO E DALILA - Por Nicéas Romeo Zanchett


Adaptação de Nicéas Romeo Zanchett 
A RIXA DE SANSÃO COM O POVO FILISTEUS
                      Por muito tempo os hebreus tiveram que viver sem um rei. Em seu lugar haviam homens sábios e valentes com poderes de juízes que os guiavam na obediência das leis  e os defendiam dos seus inimigos.  Um desse juízes se chamava Sansão que era famoso por sua extraordinária força com a qual defendeu os hebreus contra os filisteus, considerados como maus e cruéis. 
                    Sansão era tão forte que em certa ocasião enfrentou um leão agarrando-o pelas mandíbulas e estrangulando-o como se fosse um cordeirinho. 
                    Seu ódio pelos filisteus não era em vão. Em certa ocasião os cruéis filisteus conseguiram prendê-lo e manietá-lo. Sem reagir, Sansão deixou que fizessem tudo o que quiseram. Mas, depois de bem amarrado, fez um grande esforço e arrebentou todas as correntes como se fosse fios de linha; em seguida apossou-se de uma mandíbula de burro e usando-a como se fosse uma espada matou  mais de dois  mil filisteus. 
                   Em outra ocasião os filisteus preparam-lhe uma armadilha. Era noite e Sansão estava a sós e numa cidade inimiga. Os filisteus o amarraram na porta da cidade e  já contavam alegremente o sucesso de seu feito, certos de que não conseguiria escapar. 
                   Aquela cidade, como tantas outras daquela época, era bem protegida por uma enorme e alta porta, tão alta como a torre de um castelo. Mas nada disso adiantou. Sansão apoiou seu ombro na porta e a arrancou com fechadura de bronze e tudo; em seguida saiu correndo pelos campos dirigindo-se para uma montanha como se estivesse carregando uma cesta de frutas. 
DALILA E SUA TRAIÇÃO 
                 Sansão conheceu uma mulher chamada Dalila e encantou-se por ela. Sua intenção era honesta, mas não sabia que aquela mulher era traiçoeira e perversa. Para enganá-lo, na primeira oportunidade que teve aproximou-se de Sansão fingindo ser sua sincera amiga. Não sabia ele que aquela mulher havia acertado com seus inimigos que iria aniquilá-lo pela quantia de mil moedas. 
                 Depois de se mostrar muito carinhosa, Dalila perguntou-lhe qual o segredo de toda aquela força que possuía dizendo o seguinte: - Sansão, eu o admiro muito por sua força, pois não existe nenhum laço que seja capaz de prendê-lo; você é tão forte que se desfaz de qualquer amarra como se fosse um simples fio de seda; por muito amá-lo gostaria de saber se existe alguma forma de resistência que poderia detê-lo. 

                  Sansão então contou-lhe a seguinte história: - Só existe uma forma de prender-me: Eu não conseguiria escapar se fosse amarrado com sete cordas feitas de pele de boi ainda fresca e úmida; isso me transformaria num homem tão fraco como qualquer um. 
                 Seus inimigos então providenciaram as sete cordas e o amarraram, mas bastou uma pequena sacudidela para que as cordas se rompessem em pedaços. 
                 Mas Dalila, traiçoeira e persistente, tornou a perguntar-lhe como seria possível subjugá-lo. 
                 Sansão então já sabendo que trava-se de uma armadilha  disse-lhe: -Acredito que seria necessário nove cordas em vez de sete. 
                 Voltaram a amarrá-lo e desta vez com nove cordas, mas foi só um pequeno esforço e elas arrebentaram-se em pedacinhos. 
                 Dalila, como sempre muito ardilosa deixou passar algum tempo. Sempre carinhosa com Sansão ela se mostrava a mais fiel das amigas. 
                 O tempo passou e um dia, sem querer,  Sansão deixou escapar seu segredo...
                 - Ora Dalila, minha força está nos meus longos cabelos  que nunca foram cortados.
               Dalila não disse nada. Esperou que ele adormecesse, pegou uma tesoura cortou todo o seu cabelo o mais rente que pode. 
               Ao despertar, percebeu que estava careca; seus cabelos haviam sido cortados e ele perdera sua força. 
               Os filisteus não perderam tempo, trancaram-no num cárcere e lhe arrancaram os olhos. Em seguida levaram-no para um pátio onde havia a roda dos presos. Ali o pobre e infeliz Sansão passava os dias dando voltas como se fosse um cavalo cego! 
                Com isso os filisteus sentiram-se vitoriosos e esqueceram que os cabelos voltariam a crescer e com eles a força de Sansão. Quanto mais seus cabelos cresciam mais aumentava sua força. 
A VINGANÇA FINAL DE SANSÃO
                Chegou o dia em que os filisteus celebrariam seus feitos numa grande festa. Depois de muito terem comido e bebido trouxeram o cego Sansão para para divertirem-se, fazendo dele o alvo de suas zombarias.
                No palácio havia mais de três mil pessoas, contando mulheres e crianças. Todos se divertiam e riam do pobre prisioneiro e de sua desgraça por não poder mais enxergar. Como estava sego Sansão era conduzido pela mão por um pobre garoto filho de escavo. 
                O garoto que conduzia Sansão era seu admirador, mas nada falava para não ter a mesma sorte. Sabendo disso Sansão lhe disse: - Meu amigo, conduza-me até o meio das duas colunas da grande sala para que eu possa descansar um pouco apoiado nelas. Você poderá deixar-me ali e ir brincar com seus amiguinhos que todos estão bêbados e nem irão perceber. Aquelas duas colunas apoiavam a grande abóboda do palácio onde acontecia a festa.

                 Feito isso, Sansão esperou que o garoto se retirasse em em seguida apoiou-se nas duas colunas, concentrou-se e invocou ao seu Deus que lhe restituísse todas as sua forças. Abraçou, então,  as duas colunas ao mesmo tempo e gritou aqui morrerei com todos os filisteus.  Em seguida derrubou as colunas com a abóboda sobre si e seus inimigos filisteus. Ali ficou sepultado para sempre com seus inimigos. 
Nicéas Romeo Zanchett 




quarta-feira, 1 de março de 2017

A GATA BORRALHEIRA - Adaptação de Nicéas Romeo Zanchett


UM POUCO DE HISTÓRIA
A mais antiga história da Gata Borralheira tem origem na China, cerca de 860 anos a.C.
Muitos foram os autores de sucesso que escreveram sua versão sobre a Gata Borralheira que virou Princesa. 
Em 1697 o escritor francês Chales Perrault, inspirado num conto italiano (La gatta cenerentola), escreveu a versão mais conhecida; depois dele os Irmãos Grimm também escreveram uma história semelhante. Como Cinderela esta pequena história tornou-se o um dos contos mais populares da humanidade.  Nesta a Cinderela sabe palavras mágicas, que as usa no imperativo, e assim consegue fazer seu pedido  se transformar em realidade. O final da história acontece com as irmãs malvadas ficando segas depois que  pombos lhes furam os olhos. 
A palavra borralheira é dada ao um local sujo, local onde se guardam lixo, cinzas e restos do forno de lenhas.

Analisando a história pelo olhar da psicologia podemos dizer que ela traduz o anseio natural de toda a jovem que quer ser reconhecida como especial e superior às demais. Este lado psicológico tem sido muito usado pelo cinema não apenas infantil, mas também aqueles que contam histórias de amor onde a mulher simples, humilde acaba sendo a preferida e amada.

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               Em tempos muito remotos a esposa de um homem muito rico estava à beira da morte. Preocupada com o futuro da filha chamou-a até seu leito e lhe disse: 
               - Querida filha, estou prestes a me despedir para ir ao encontro de Deus. Antes porém quero lhe dar o melhor conselho que imagino existir; - seja sempre boa e piedora que Deus a ajudará; lá do céu sempre a acompanharei e pedirei por você. 
               Em seguida morreu. 
               Boa e piedosa, a menina ia todos os dias ao túmulo da mãe.
               Passado um ano, seu pai apaixonou-se por uma linda senhora e casou-se novamente.
               A nova esposa levou consigo as duas filhas que eram muito lindas de rosto e corpo, mas feias de alma. Mal chegaram à nova casa começaram a atormentar a boa e piedosa enteada de sua mãe.
              - Você é uma pessoa horrorosa e nós não a queremos conosco; vá para a cozinha ajudar a criada, disseram elas.
              Em seguida foram ao seu quarto, abriram seu armário e se apossaram dos lindos vestidos que havia ganho de seus pais. Depois vestiram-na com o que havia de pior e também puseram-lhe um velho tamanco e mandaram que fosse para a cozinha trabalhar.
              A piedosa menina levantava-se muito cedo para lavar cozer e cozinhar. 
              As irmãs faziam-lhe todo o mal que podiam, sempre com as mais humilhantes palavras.
              Como havia sido expulsa de seu quarto, passava as noites sentada ao pé do fogão, pois nem cama tinha para deitar e descansar.  Como estava sempre suja de cinza puseram-lhe o nome de Gata borralheiro. 
              Certo dia seu pai foi a uma feira, mas antes de sair perguntou às suas enteadas: 
              - O que querem que lhes traga de presente? 
              - Os vestidos mais belos que encontrar, disse uma; 
              - As mais lindas e ricas jóias, disse a outra. 
              - E você minha querida filha, que queres que lhe traga? 
              - Paizinho, traze-me a primeira flor que encontrar no seu caminho de volta, respondeu-lhe. 
              O senhor foi então à feira e comprou lindas jóias e vestidos para as duas enteadas; na volta, ao passar por um bosque, lembrou-se do pedido da filha e colheu um raminho de rosa.
              Ao chegar em casa deu às enteadas o que haviam pedido e entregou o ramo de rosa para sua legítima filha. 
              Com aquele raminho nas mãos ela foi até o cemitério e enterrou-o junto ao túmulo de sua mãe. Tanto chorou que suas lágrimas irrigavam diariamente aquele raminho que logo se transformou numa bela roseira. 
              A Gata borralheira, sempre que podia, ia ver e admirar sua roseira que de tão grande se tornara uma verdadeira árvore. Notou que sempre que ela chegava vinha também um pequeno passarinho branco que lhe dava tudo o que ela pedia. 
              O rei daquele lugar mandou avisar e convidar a todos para a grande festa que daria a fim de que seu filho tivesse a oportunidade de escolher a mais bela das moças de seu reinado para ser sua esposa. 
              Quando as duas irmãs avarentas souberam da notícia ficaram enlouquecidas de felicidade e esperança. Chamaram a Gata borralheira e lhe disseram: 
              - Limpe muito bem nossos sapatos e penteie nossos cabelos que iremos a uma festa no palácio do rei. 
              Ouvindo isso a Gata borralheira começou a chorar e pediu à madrasta que a levasse também.
              - Está cheia de cinzas e poeira, disse-lhe a madrasta. Além disso como poderá dançar  se nem tem um par de sapatos? 
               Mas como ela insistia, a madrasta deu-lhe uma tarefa. Em seguida despejou um prato de lentilhas nas cinzas da lareira,  mandou que juntasse todas, uma a uma, separando as boas da ruins e disse: 
                - Se apanhar todas antes de duas horas poderá vir conosco. 
                A bondosa menina foi ao jardim e chamou seus amigos: 
                - Queridos pássaros, pombas, andorinhas, e todos os outros, por favor me ajudem; vamos separar as boas e por no prato as outras podem comer ou jogar fora. 
               Duas pombas brancas imediatamente apareceram na janela da cozinha; em seguida duas lindas andorinhas, e por fim uma grande quantidade de pássaros  voavam em volta da lareira. Não demorou muito e todos os grãos bons estavam no prato. Nem havia passado uma hora e a tarefa já estava cumprida. 
               A boa menina foi toda contente levar o prato à madrasta imaginando que esta a deixaria ir à festa.
               - Nada disso, Gata borralheira, não tem vestido e nem sabe dançar; certamente os outros convidados ririam de nós. 
                Mas vendo que a menina não parava de chorar, resolveu dar-lhe outra oportunidade. 
                - Se conseguir apanhar entre as cinzas dois pratos de lentilhas ao mesmo tempo eu a levarei à festa. 
                Pensando que ela jamais conseguiria, despejou dois pratos de lentilha nas cinzas e foi embora.
                A menina imediatamente correu até o jardim e chamou novamente seus amigos pássaros.
                Como da primeira vez entraram logo pela janela da cozinha duas pombas, duas andorinhas e uma grande quantidade de pássaros que esvoaçavam pela cozinha em volta da lareira. 
               Passado pouco mais de meia hora a tarefa já estava cumprida e as aves voaram para os céus. 
               Toda contente, a menina foi ter com a madrasta imaginando que agora ela cumpriria sua promessa, mas a madrasta lhe disse:
                - É inútil tentar, não pode vir conosco; iria nos envergonhar pois não sabes dançar e, além disso, nem tem uma roupa condizente com a pompa da festa que o rei irá dar. 
                Deu-lhe as costas e pôs-se a caminho do castelo com as duas filhas orgulhosas ricamente vestidas.
                Finalmente a Gata borralheira ficou sozinha em casa e então resolveu ir ao túmulo de sua mãe; sentou-se em baixo da roseira e começou a falar com o coração cheio de amor:
"Querida roseirinha 
Um vestido me vais dar
Que seja de ouro e prata
E lindo como o luar"
                Imediatamente um passarinho branco lhe trouxe um vestido de ouro e um par de sapatinhos bordados com prata. Em seguida ela vestiu-se, calçou os sapatinhos e foi para a festa. 
                  Nem a madrasta e nem a irmãs a conheceram. Estava deslumbrante e elas julgaram que seria alguma princesa estrangeira. Acharam-na muito linda com aquele vestido de ouro e maravilhosos sapatos; jamais poderiam imaginar que ela fosse a Gata borralheira que haviam deixado junto à lareira. 
                  Não demorou muito e o filho do rei veio ao seu encontro; pegou-a pela mão e começou a dançar com ela não deixando que mais ninguém a convidasse para ser seu par e quando outro rapaz se aproximava ele logo dizia: 
                  - Desculpe amigo, mas ela é meu par.
                  Dançaram até ao amanhecer e então a Gata borralheira lhe disse que deveria voltar para casa, mas o príncipe lhe disse: 
                  - Vou com você; preciso conhecê-la melhor. Mas ela o despistou e conseguiu fugir.
O príncipe foi então falar com seu pai, o poderoso rei, dizendo-lhe: 
                  - Meu bondoso pai, a donzela que me fascinou fugiu para o bosque e preciso encontrá-la. O rei mandou vários guardas do palácio para procurá-la, mas não conseguiram nem sinal da bela jovem que encantara o príncipe. 
                  Quando a malvada madrasta e suas filhas chegaram em casa tudo parecia normal. A Gata borralheira estava junto à lareira com um vestido velho e todo sujo de cinzas. A Gata borralheira tinha entrado rapidamente; estava muito cansada, pois havia corrido um longo trecho de chão pelo bosque e, ao passar pelo túmulo de sua mãe, trocara de roupa às pressas. 
                  No dia seguinte a festa continuou; seu pai, sua madrasta e a duas trapaceiras puseram-se a caminho do palácio para não chegarem atrasadas. A Gata borralheira correu para junto do túmulo de sua mãe, sentou-se em baixo da grande roseira e disse: 
"Querida roseirinha
Um vestido me vais dar
Que seja de ouro e prata
E tão lindo como o luar."
                 Imediatamente um pássaro desceu do céu e lhe deu um vestido mais lindo que o anterior e ricos sapatinhos  mais brilhantes que a luz do sol. Quando chegou à festa todos ficaram encantados com sua extraordinária beleza. 
                 O príncipe já estava aguardando sua chegada e logo veio ao seu encontro; tomou-a pela mão e juntos dançaram a noite toda. Quando alguém ousava convidá-la ele imediatamente dizia: 
                 - Desculpe amigo, mas ela é meu par. 
                 Ao amanhecer, a Gata borralheira quis retirar-se, mas o príncipe estava pronto para segui-la e descobrir onde morava. Ela fingiu que estava tudo bem e foi esconder-se no jardim onde havia uma grande árvore repleta mangas. Subiu na árvore e escondeu-se entre seus ramos. O príncipe tentou segui-la, mas ela o despistou e foi embora. 
                  Quando a madrasta e suas filhas chegaram em casa encontraram a Gata borralheira sentada junto à lareira como na noite anterior. Tinha feito o mesmo caminho passando pelo túmulo de sua mãe e trocado as lindas roupas pelo velho vestido sujo de cinzas. 
                 No terceiro dia de festa a gata borralheira esperou que todos saíssem e foi novamente sentar-se em baixo da roseira e disse: 
"Querida roseirinha
Um vestido me vais dar
Que seja de ouro e prata
E tão lindo como o luar."
                Mais uma vez o pássaro chegou com um vestido muito mais lindo que os dois anteriores e um par de sapatinhos de ouro. 
                 Quando apareceu na festa todos suspiraram assombrados com tanta beleza. O príncipe já a esperava e, como nas noites anteriores, dançaram até o amanhecer. Sempre que algum jovem se aproximava para convidá-la ele dizia: 
                 - Desculpe amigo, mas ela é meu par.
                 Ao amanhecer a Gata borralheira quis retirar-se às escondidas como nas noites anteriores. Mas o príncipe havia mandado  espalhar uma poderosa cola na escada e o sapatinho da bela jovem ficou fixado no primeiro degrau.  Ele não perdeu tempo e apanhou logo aquele lindo e pequenino sapatinho de ouro. 
                 No dia seguinte foi ter com o pai e disse-lhe: 
                 - Meu bondoso pai; já decidi como escolher aquela que será minha esposa; vou anadar por aí até encontrar uma jovem cujos pés caibam perfeitamente neste sapatinho. 
                  E logo em seguida montou seu cavalo e saiu andando por todos os lugares com aquele sapatinho de ouro. 
                  A notícia logo se espalhou e todas as jovens que encontrou tentaram calçar o sapatinho. É claro que todas faziam o maior esforço, pois queriam casar com o príncipe, mas nenhuma conseguia perque tinham pés muito grandes. Finalmente chegou à casa da Gata borralheira. 
                  As duas enteadas ficaram muito felizes e esperançosas porque tinham pés pequenos. 
                  A mais velha levou o sapato para o quarto para calçá-lo, mas foi impossível porque o polegar não cabia. A mãe, sempre ardilosa, entregou uma faca para a filha e lhe disse:
                  - Corta fora o dedo. Não lhe fará falta, pois sendo uma princesa nunca andará a pé 
                  A ambiciosa jovem concordou com a mãe e cortou o dedo; em seguida, com muito esforço,  conseguiu calçar o sapatinho de ouro e foi juntar-se ao filho do rei. Os dois montaram a cavalo e como noivos saíram cavalgando em direção ao palácio. Mas no caminho tiveram que passar pelo túmulo da mãe da Gata borralheira; ali estavam duas pombas que começaram e recitar: 
"Não sigas, príncipe amante; 
olha e repara um instante
que o sapatinho que essa tem 
para o seu pé não convém;
a tua noiva verdadeira 
está em casa junto à lareira."
                  Então o príncipe foi examinar seus pés e viu que corria sangue; montou com ela em seu cavalo e juntos chegaram à casa de sua mãe. Ele explicou que a outra filha deveria experimentar o sapato, pois aquela não era a verdadeira dona do sapatinho. Esta pegou logo o sapatinho e entrou no quarto para calçá-lo. A parte da frente entrava bem, mas o calcanhar era muito largo e não cabia de jeito nenhum. A mãe assistia a tudo e, ardilosa como sempre, mandou que a filha cortasse um pedaço do calcanhar, pois sendo uma princesa, nunca mais andaria a pé. 
                 A jovem obedeceu a mãe e cortou o calcanhar; pôs o pé dentro do sapatinho e foi ter com o príncipe. Sentia muita dor, mas conseguia dissimular. Em seguida, junto com o jovem príncipe, rumaram em direção ao palácio. 
                 Ao passarem junto ao túmulo lá estavam as duas pombas que novamente começaram a recitar: 
"Não sigas, príncipe amante; 
olha e repara um instante
que o sapatinho que essa tem
para o seu pé não convém; 
a tua noiva verdadeira 
está em casa junto à lareira. 
                  O príncipe desceu do cavalo, examinou os pés da jovem e viu que corria sangue. Imediatamente voltou para trás e devolveu a fingida noiva dizendo: 
                  - Também não é esta que eu procuro; por acaso tem outra filha, perguntou ao pai.
                  - Não, respondeu-lhe. Mas com minha primeira esposa tive uma filha que não não lhe deve servir, tanto que a chamamos de Gata borralheira.  Ela não é com certeza a noiva que procura. 
                  Apesar dos argumentos do pai, o príncipe insistiu em vê-la, mas a madrasta foi logo dizendo: 
                  - Não, não; ela está toda suja e não pode apresentar-se diante de uma pessoa tão importante como vossa majestade. 
                  Mas o príncipe não desistiu até que resolveram trazer a Gata borralheira. Esta foi primeiro lavar o rosto e as mãos e depois apresentou-se diante do príncipe que lhe entregou o sapatinho de ouro para provar. Sentou-se num banco de madeira, tirou o pezinho do pesado tamanco e sem a menor dificuldade calçou aquele lindo sapato. Foi quando finalmente se levantou que o príncipe viu seu rosto e logo reconheceu sua formosa princesa com quem tinha dançado e disse-lhe: 

                  - Esta é a minha verdadeira noiva!
                  A madrasta e as duas irmãs ficaram assombradas e pálidas de raiva; Mas ele montou seu cavalo com a Gata borralheira e partiu com ela para o palácio, onde seu pai o esperava. 
                  Quando passaram defronte ao túmulo lá estavam as duas pombas brancas sob a roseira e iniciaram seu recital: 
"Segue, príncipe, adiante
sem parar nenhum instante;
 já encontraste o pesinho 
a que serve o sapatinho." 
                   Após dizerem isto, os duas pombas brancas voaram e pousaram uma em cada ombro da Gata borralheira.
                   Passados alguns dias aconteceu uma grande festa para a celebração das bodas do jovem casal.
                   As duas falsas irmãs tentaram se aproximar da Gata borralheira e assim participarem felizes da sua vida. Quando foram para a igreja a mais velha tomou o lado direito e a mais nova o esquerdo, mas as duas pombas brancas que estavam nos ombros da Gata borralheira bicaram-nas nos dois olhos deixando-as cegas e assim castigando-as severamente pelas suas impiedosas maldades.
                  O jovem casal, príncipe e princesa, viveram felizes para sempre. 
Nicéas Romeo Zanchett 
               
        

sábado, 25 de fevereiro de 2017

A AVIDEZ DA RIQUEZA CONDUZ AO INFORTÚNIO



Por Nicéas Romeo Zanchett 
Inspirado em clássicos universais com fim moral.
                  Em tempos muito remotos, houve um velho carpinteiro que morava à beira do mar; era muito mau, avarento e cobiçoso. 
                  Passou a maior parte da vida juntando dinheiro que sempre guardava numa parede falsa ao lado de sua cama. Estava constantemente preocupado que alguém pudesse roubá-lo e então resolveu esconder sua fortuna dentro de um tronco de árvore que sustentava o teto de seu quarto. Achou que assim haveria menor probabilidade de alguém descobrir seu segredo. 
                 Numa tarde de verão começou chover intensamente e o mar tornou-se revolto. Isso não o preocupava porque sua fortuna estava bem escondida. 
                 Enquanto dormia o mar transbordou e inundou totalmente sua casa. O velho avarento teve de salvar sua vida e abandonou seu quarto correndo em busca de abrigo em local mais alto. 
                 Boa parte de sua casa foi demolida pela força da água e o tronco, que guardava sua fortuna, flutuou por longo tempo até chegar a uma pequena cidade onde morava um senhor dono de um pequeno hotel. 
                Ao amanhecer de um novo dia, veio o sol. O hoteleiro levantou-se cedo e foi até a praia que ficava em frente ao seu estabelecimento. Logo viu aquele tronco boiando entre as espumas que a maré batia na areia. 
                Inicialmente pensou tratar-se de um simples pedaço de madeira que alguém jogara ao mar. Retirou-o com todo o cuidado e o guardou. Era um homem muito honesto e preferiu não fazer nenhum uso até ter certeza absoluta de que ninguém o procuraria. 
                O tempo passou, chegou a primavera que era época de maior ocupação de seu hotel. Precisava de mais lenha para cozinhar alimentos, pois acabara de chegar um gruo de peregrinos.
                Resolveu então fazer uso daquele tronco de madeira cortando-o em pedaços. Pegou o machado e começo a cortá-lo ao meio. Mas, ao dar a terceira machadada percebeu que tratava-se um um pau oco; percebeu também que dentro dele alguma coisa fazia um barulho estranho que mais parecia um chocalho. 
                Qual não foi sua surpresa ao partir o tronco ao meio quando moedas de ouro rolaram pelo terreno. Ficou muito contente, mas como homem honesto e bondoso, logo imaginou que aquele tesouro devia ter um dono e por isso resolveu guardá-lo até descobrir o legítimo proprietário.
               O ambicioso carpinteiro não teve mais descanso desde o momento em que o mar levou todo o tesouro que tão bem guardou por toda a vida.  Quase enlouquecido caminhava por tudo quanto é lugar à procura de alguma notícia. Já cansado percebeu que ali havia um hotel onde poderia descansar para depois continuar sua busca. 
               Como já estava sem esperança resolveu contar ao velho hoteleiro a sua verdadeira história. O dono da hospedaria logo percebeu que aquele dinheiro era dele, mas resolveu guardar segredo até conhecê-lo melhor. 
               Cansado e com fome o avarento carpinteiro pediu que lhe service  alguma coisa para comer. O hoteleiro, atendendo seu pedido, serviu-lhe três bolos. O primeiro recheou com terra; o segundo com ossos de animais e o terceiro com um pouco daquelas moedas de ouro. 
               - Meu caro amigo - disse o hoteleiro - vamos comer três bolos feitos com a melhor carne da casa. Escolhe o que desejares. O carpinteiro, que sempre queria levar vantagem, escolheu o bolo mais pesado e disse logo: 
               - Minha fome é grande e provavelmente vou ter que ficar com aquele apontando para o que estava recheado de ossos. O senhor que não precisa de muito pode ficar com o terceiro. 
               - Para mim está bem - disse-lhe o hoteleiro. Em seguida chamou alguns mendigos que sempre vinham pedir restos de comida e lhes presenteou com aquele bolo. O avarento carpinteiro disse-lhe: 
               - Se eu soubesse que o senhor não o queria teria ficado com ele para mim. 
               O hoteleiro então partiu o bolo dizendo: 
               - Aqui está uma pequena parte do seu tesouro, seu velho avarento. Percebo que Deus não quer que seja seu e por isso o fez escolher os outros dois bolos recheados com terra e ossos. Então distribuiu pedaços de bolo e as moedas de ouro entre os pobres; em seguida expulsou o velho avarento que saiu esbravejando pragas pelo caminho, cheio de raiva. 
.
CONCLUSÃO FINAL
             O carpinteiro, aqui representado, é qualquer homem avarento;
             O tronco da árvore significa o coração humano cheio das riquezas desta vida;
             O hospedeiro é todo aquele que tem bondade e amor no coração para abrigar a todos;
             O bolo de terra é o mundo em que vivemos temporariamente; 
              O bolo de ossos representa os seres, bons ou maus,  que viveram e já morreram sem levar nada; 
              O bolo de ouro representa a bondade que exite em muitas pessoas.
Nicéas Romeo Zanchett 


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