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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O NOVO REI DOS LEÕES - Ad. Nicéas Romeo Zanchett


O NOVO REI DOS LEÕES 
Uma história antiga. 
Adap. Nicéas Romeo Zanchett 
                  Há muitos anos um inglês levou um burro para Uganda e, certa manhã, ele fugiu para o campo. Zurrou por tanto tempo e com tanto barulho que despertou um leão que estava tranquilamente dormindo. O leão levantou-se e ficou muito assombrado com aquele som e pensou: que bicho estranho é este, com orelhas compridas e pontudas, deve ser muito mais perigoso do que eu. 
                   Cautelosamente, se aproximou e perguntou: 
                   - Quem é o senhor? nunca o vi por aqui!
                   - Sou o rei dos leões, respondeu o burro. Não ouviu o meu desafio? 
                   - Ouvi sim, disse o leão. Mas não precisamos travar uma luta; podemos chegar a um acordo e fazer uma dupla contra todos os animais.
                   - Pois sim, respondeu o burro; e logo foram embora juntos. 
                    Depois de muito andar, chegaram junto a um riacho. O leão atravessou-o num único salto, mas o burro teve de atravessá-lo a nado e com muita dificuldade. 
                    - Você não sabe nadar? perguntou o leão. 
                    - Nadar?, claro que sei, disse o burro; nado como um pato, mas é que pesquei um enorme peixe com a minha cauda e ele quase me pucha para debaixo da água. Mas, já que está tão impaciente para irmos embora, vou largá-lo. 
                     Pouco tempo depois chegaram ao pé de um muro bem alto. O leão galgou-o facilmente e o burro conseguiu passar apenas as patas dianteiras, mas estava com dificuldade de fazer mais que isso. 
                     - O que é que estás fazendo? perguntou o leão. 
                     - Então não estás vendo? retorquiu o burro. Estou me pesando para saber se minha parte dianteira é tão pesada como a traseira. 
                     Depois de muito esforço, o burro conseguiu passar, e o leão lhe disse: 
                     - O senhor não tem nenhuma força. Vou lutar contigo. 
                     - Quando quiseres, respondeu o burro, mas primeiro devemos fazer uma experiência com as nossas forças. Quando vejo que não posso saltar  um muro eu o ponho abaixo. Vamos ver se és capas de fazer isso. 
                     O leão começou a bater no muro com as patas, mas feriu-se muito e teve de desistir. Em seguida o burro escoiceou o muro com tanta força que ele logo caiu. 
                     - Sim, já vi que o senhor tem mesmo muita força, disse o leão, lambendo as patas feridas. Quero que seja aclamado rei de todos os leões; vamos nos reunir com os outros moradores desta floresta. 
                     No dia seguinte reuniram-se todos os leões de Uganda, e o burro conduziu-os a um vale coberto por árvores cheias de espinhos. 
                    - Oh! por favor não vá por aí!, gritaram os leões cheios de terror. Os espinhos se enterrariam em nossas patas. 
                    - Mas que criaturas medrosas!, disse o burro. Olhem para mim. 
                    E para grande espanto dos presentes àquela assembléia, começou a comer as plantas espinhosas.  E assim foi aclamado, por unanimidade, Rei de todos os leões. Como o burro não comia carne, nunca se servia da caça que os seus súditos matavam. Dessa forma passou a ser considerado como o melhor rei de todos os tempos. 
Nicéas Romeo Zanchett 
LEIA TAMBÉM >>> MITOLOGIA PARA CRIANÇAS

                      


domingo, 6 de outubro de 2013

O COELHO QUE ENGANOU A RAPOSA - Por Nicéas Romeo Zanchett



O COELHO QUE ENGANOU A RAPOSA
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                 No interior de Santa Catarina, Brasil,  havia um horticultor que produzia couves e cenouras. Mas sempre que ia à lavoura ficava desolado porque lhe roubavam suas melhores verduras. 

                 Um dia, resolveu que era preciso fazer alguma coisa ou os prejuízos o levariam á falência. Então fez uma armadilha com um laço de corda e pendurou num poste de madeira para pegar o ladrão. 
                 No dia seguinte, bem cedo, como costumava fazer, foi até sua lavoura e teve a grata surpresa de encontrar o ladrãozinho pendurado na corda. Era um pequeno e esperto coelho que gostava de fazer todos de bobos. 
                 - Ah! então é o senhor que me tem roubado esse tempo todo?, disse o horticultor. Espera aí que logo volto para acertarmos nossas contas.
                 E saiu em direção ao bosque, onde pretendia conseguir um bom pedaço de pau. Mas, enquanto o horticultor procurava a madeira, passou por ali uma raposa e, curiosa, perguntou ao coelho: 
                 - O que você está fazendo aí pendurado nessa corda? 
                 O esperto coelhinho não respondeu, mas apenas sorria enquanto se balançava no ar. Por fim disse: 
                 - Ora! não é nada demais; o horticultor me pendurou aqui para impedir-me de ir embora, pois gosta tanto de mim que quer me levar para casa deles, onde haverá uma grande festa. 
                 - Festa? com quem? perguntou a raposa. 
                 - Com uns amigos dele que irão ao banquete de casamento de sua filha. Eu não quero ir porque meus filhinhos estão com febre e preciso avisar o médico na cidade. 
                 - Olha, disse a raposa;  eu quero ir contigo a esta festa. Tenho muita fome e será a oportunidade de tirar a barriga da miséria. Espera que vou soltá-la para que vá logo chamar o médico; para não haver problemas vou ficar no seu lugar e assim enganaremos o horticultor.
                 Rapidamente a raposa libertou o coelho e pôs a corda no próprio pescoço. O coelho, em liberdade, desapareceu. 
                 Passados alguns minutos chegou o horticultor armado de um pedaço de pau. 
                 - Ora essa!, exclamou. Tenho ouvido falar de pessoas que se encolhem de medo; mas nunca vi um caso de alguém que tenha se inchado como você. E não é nada pouco, pois está quatro vezes maior do que era a alguns minutos, e até mudou a cor da pele.  Deixe que agora vou sacudir toda a sua poeira. E começou a surrar a raposa, mas o pedaço de madeira quebrou e ele teve de voltar ao mato para buscar outro. 
                 - Olá sra. raposa! gritou o coelho, que estava escondido ali perto. E continuou a zombaria: - Ainda não acabou o banquete? 
                 A raposa estava muito zangada, mas precisava de ajuda e, naquele momento, o melhor era fingir-se de amiga. 
                 -  Por favor, amiga, me tire daqui, pois aquele bruto acabará me matando. Fique tranquila que já a perdoei, só quero salvar minha vida e voltar para os meus filhos, suplicou insistentemente. 
                 O coelho, com um pouco de pena, soltou a pobre raposa, e quando o horticultor voltou já não encontrou mais ninguém. Os dois fugiram pelos campos e matas, onde acabaram sendo bons amigos, unidos pelas travessuras. A partir de então uniram a força da raposa e a esperteza do coelho para continuarem enganando o pobre horticultor. 
Nicéas Romeo Zanchett 

MORAL DA HISTÓRIA
Às vezes é melhor fazer um acordo do que tudo perder por arrogância.
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LEIA TAMBÉM >>> MITOLOGIA PARA CRIANÇAS

                 

O DIAMANTE DO JUDEU RICO - de Contos do Talmud


O DIAMANTE DO JUDEU RICO 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
               Um sábio pescador, vizinho de um judeu muito rico, num certo dia que o encontrou, disse-lhe: 
               - Meu caro vizinho, na vida, muitas vezes, a fortuna passa das mãos do rico para as do pobre. 
                O judeu fincou tão impressionado com aquelas palavras que vendeu tudo o que tinha  e, com o dinheiro, comprou o maior diamante que existia na face da terra e o escondeu debaixo do seu turbante. Pensou ele:
                - Agora estou tranquilo, pois meu vizinho pobre nunca porá as mãos na minha riqueza. 
                Um certo dia, quando passeava pela praia, de repente, surgiu uma forte ventania e levou seu turbante para alto mar. Então pensou ele: 
                - É verdade que perdi meu diamante, mas, como foi para alto mar, meu vizinho nunca porá suas mãos sobre ele.
                Mas, passados alguns dias, o sábio pescador voltou do mar e foi abrir os peixes. Qual não foi sua grata surpresa; dentre de um peixe ele encontrou o valioso diamante do avarento judeu. 
desenho de Romeo Zanchett 
MORAL DA HISTÓRIA
Às vezes a sorte está onde menos pensamos encontrá-la. 
Nicéas Romeo Zanchett 


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O COELHO, A RAPOSA E O ESPANTALHO




O COELHO A RAPOSA E O ESPANTALHO 
Adaptação 
Nicéas Romeo Zanchett 
                O sonho da ladina raposa era cravar os dentes no pequeno coelho. Mas este era tão esperto e tão vivo que  ela nunca conseguia. Ele tinha muita habilidade em escapar das costumeiras armadilhas feitas pela sua tradicional inimiga. 
                 Percebendo que não conseguiria pegá-lo, a raposa resolveu mudar sua tática; quis fazer-se de sua amiga e, um certo dia, convidou-o para ir almoçar em sua casa. Ele porém não aceitou, pois logo viu que o seu corpo ia servir para o saboroso prato da festa. 
                 Cheia de raiva pela recusa, a falsa amiga teve outra ideia muito engenhosa. Foi até a casa do sapateiro e roubou uma tigela cheia cola e com ela lambuzou o espantalho que estava espetado perto da cerca que separava a casa do matagal. Feito isso agachou-se por detrás de uma moita, no meio do matagal e ficou à espera do coelho. Não demorou e o coelho, que passava por perto, viu o espantalho e se aproximou; sentando-se nas patas traseiras e falou de forma muito amável: 
                 - Bom dia senhor!  que linda manhã que faz hoje, não lhe parece? 
                    Com era de se esperar, o boneco não respondeu nada. 
                    - Estás surdo, senhor? Queres que te fale mais alto?
                     Deu-lhe novo bom dia, mas desta vem em altos berros, e o espantalho nada de responder. O sr. coelho, piscando o olho maliciosamente, aproximou-se e, com uma patinha, empurrou-o suavemente. Mas, que desgraça! Quando puxou de volta sua patinha não conseguiu solta-la, pois tinha ficado presa na cola.
                    - Deixe-me! solte-me!, ou então vais apanhar!, gritou o coelho, muito zangado, e logo a seguir deu-lhe com a outra pata que teve a mesma sorte que a primeira. Furioso, sacudia-se cada vez mais, e assim acabou totalmente preso ao espantalho. 

                    A raposa que a tudo observava, aproximou-se. 
                    - Olá sr. Coelho, disse ela em ar de zombaria. O que é que lhe aconteceu, meu caro amigo? 
                    E, cheia de alegria e prazer, rebolava pela grama, dando enormes gargalhadas. 
                    - Gostaria muito que viesse almoçar comigo, vai ter coelho assado. Seu mal criado, não vais me fazer de oba outra vez! .... Quem mandou conversar com um espantalho, seu imbecil! Mas não se preocupe, vais sentir um belo calorzinho na hora em que eu estiver cozinhando o almoço!
                   O pobre coelho a tudo ouvia calado e trêmulo. Depois, quando já tinha um plano, disse-lhe em tom humilde: 
                   - Não me importo, senhora raposa; só o que lhe peço é que não me coloques daqueles espinhos que servirão de lenha. 
                    - Não, não se preocupe que não vou assa-lo; não quero ter o trabalho de arranjar lenha, prefiro enforcá-lo. 
                    - Enforcar-me ou atirar-me ao rio, tudo me é indiferente; mas tenha compaixão de mim e não me coloque em cima daquelas urtigas. 
                   Era tal a aversão que a raposa tinha pelo coelho, que, toda desesperada, deu-lhe um forte puxão no rabo e fê-lo cair entre os espinhos. 
                    O coelho não perdeu tempo e embrenhou-se pelo matagal e, quando a raposa viu a ramagem se mexendo demasiadamente, aproximou-se para ver se era mesmo o coelho que estava escondido. Estava a espreitar, cheia de curiosidade, quando ouviu que alguém a chamava. Voltou-se  e viu o coelho sentado no tronco de uma árvore, limpando a pela com um pequeno galho.
                   - Senhora raposa, nasci entre matagais  e entre matagais tenho vivido, gritou-lhe o coelho rindo muito; e fazendo uma pirueta, despareceu mais veloz do que um raio. 
Nicéas Romeo Zanchett 


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O REI AVARENTO E SEUS FIGOS - Por Nicéas Romeo Zanchett


O REI AVARENTO E SEUS FIGOS
De contos do Talmud 
Por Nicéas Romeo Zanchett 

                 Houve um rei avarento que tinha muitas figueiras plantadas em seu pomar e medo que roubassem seus figos. Decidiu que deveria manter guardas durante  24 horas. Mas ele temia que os próprios guardas o roubassem. Por isso resolveu ter apenas dois, sendo um cego e outro coxo. E assim fez. 
                 Passados alguns dias, o rei foi ver como estava a proteção de seus figos. Chegando ao pomar, logo percebeu que lhe haviam roubado, pois muitos frutos tinham desaparecido. Chamou logo seus dois guardas e perguntou como isso tinha acontecido. 
                  - Eu não sei, disse o cego, pois não vi nada.
                  - Eu também não sei, disse o coxo.
                  O rei então lhes disse:
                   - Como isso é possível?  se aqui não entrou ninguém, só pode ter sido vocês mesmos que roubaram meus figos. 
                    O coxo logo se defendeu dizendo: 
                    - Eu não podia apanhar o figos porque só tenho uma perna e não consigo subir em árvores. 
                     - Eu também não podia roubar seus figos porque não os vejo. 
                     Mas o rei que era muito esperto, logo descobriu que o cego tinha segurado o coxo de forma que este apanhasse os figos. Portanto tinha sido um trabalho em conjunto; o coxo teria se valido das penas do cego e o cego dos olhos do coxo.  E então os dois foram castigados. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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MORAL DA HISTÓRIA
Quando se trabalha em conjunto, tudo é possível e mais fácil. 
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LEIA TAMBÉM >>> AS FÁBULAS DE ÊSOPO

O URSO E A RAPOSA - Por Nicéas Romeo Zanchett


O URSO E A RAPOSA 
De Contos do Talmud
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                Houve um urso que era amigo de uma raposa. Um dia, os dois saíram para passear e ao passarem diante de uma linda casa, sentiram um apetitoso cheiro de comida. A raposa, que era muito esperta, sugeriu ao companheiro que deveriam ir até àquela cozinha e roubar qualquer coisa para comer. O urso aceitou, mas quando estavam na cozinha entrou o cozinheiro e os apanhou em flagrante; este apanhou uma grande faca e expulsou os dois intrusos. 
                 Depois dessa tentativa fracassada, o urso ficou muito zangado com a raposa e até ameaçou matá-la. Mas sua astuta "amiga" disse-lhe: 
                  - Calma! Não fique zangado e nem  vamos desanimar por causa disso. Vou levá-lo a um lugar onde encontraremos muito o que comer. 
                  Quando a noite chegou e a lua apareceu, a raposa levou o urso até um poço de água, muito fundo, e mostrando-lhe o reflexo da lua na água, disse-lhe: 
                   - Olha lá no fundo e veja que belo queijo nos espera; vamos até lá buscá-lo e teremos uma farta refeição! 
                   Então a raposa apanhou um balde atado ao extremo de uma corda e disse ao urso que fizesse o mesmo, e que também entrasse no balde que estava amarrado na ponta de outra corda; garantiu-lhe que assim os dois estariam seguros para voltar à superfície. Como a raposa era muito leve, teve de colocar algumas pedras no balde para forçá-lo a descer. E os dois desceram até o fundo do posso. Quando chegaram ao fundo, a raposa retirou as pedras e naturalmente voltou para a superfície; já o urso, que era muito pesado, ficou no fundo do posso e morreu afogado. 
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MORAL DA HISTÓRIA
É preciso tomar cuidado com falsos conselhos; muitas vezes tem o objetivo de nos levar à ruína. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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LEIA TAMBÉM >>>>>>> POESIAS SELECIONADAS PARA CRIANÇAS

O LEÃO, O COELHO E A CORÇA - Por Nicéas Romeo Zanchett




O LEÃO, O COELHO E A CORÇA  
 fábulas
  Por Nicéas Romeo Zanchett 
                Como sabemos, o coelho é um animal pequeno e frágil, mas muito esperto; tão esperto que nem o leão consegue competir com ele. 
                Houve uma certa ocasião em que o leão roubou o filhote de uma corça, dizendo que era seu filho, e não queria devolver para a legítima mãe. 

                A corça, inconformada e desesperada, pediu auxílio aos animais da floresta, mas todos tinham muito medo de ir falar com o leão, que afinal é o rei. Ela então foi falar com um pequeno coelho, que lhe parecia muito esperto e astuto, dizendo-lhe: 
                - Senhor coelho, já chamei todos os animais da floresta para uma reunião amanhã em frente à minha casa. Iremos debater sobre os abusos que o leão está cometendo contra nós e conto com sua presença. 

                O coelho não lhe disse nada, mas, depois  que ela foi embora, escavou uma passagem subterrânea que ia de sua casa até uma saída bem distante, escondida entre os arbustos.  
                 No dia e hora marcados, os animais compareceram à reunião e, em conselho, depois de muito escutarem os argumentos contra e a favor, declaram que a razão devia ser do leão. Nenhum deles teve coragem de falar o que realmente pensava, pois tinham medo das possíveis represálias do leão, que lhes lançava olhares assustadores. 
                 Quando tudo parecia decidido, eis que se ouviu a voz do coelho gritando de seu esconderijo: 
                 - Trapaceiros medrosos! a corça tem razão, e o leão é um ladrão malvado e covarde!
                 Ao ouvir isso, o leão ficou furioso e lançou-se sobre o coelho, mas este escapou correndo pela sua passagem secreta e foi sair atrás do arbusto, desaparecendo completamente. 

                 - Há de morrer de fome, seu imbecil!, rugiu o leão. E ficou junto à casa do coelho esperando. Esperou, esperou e nada do coelho. Passaram muitos dias e o leão já estava fraco por não se alimentar, mas não queria ceder. Ele sabia que se saísse dali para procurar alimento, o coelho escaparia. 
                  E ali fico até morrer de fome, e então a corça pode finalmente ficar com seu filhinho. A partir daquele dia a floresta ficou mais segura e a corça e o coelho tornaram-se grandes amigos. 

Nicéas Romeo Zanchett 


                


domingo, 25 de agosto de 2013

AS VIAGENS DE GULIVER- Adaptação: Nicéas Romeo Zanchett


AS VIAGENS DE GULIVER
Obra de Jonathan Swift
Resumo e adaptação: Nicéas Romeo Zanchett 
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Guliver foi um médico inglês que passava por sérias dificuldades financeiras e não tinha condições para sustentar a própria família. Em busca de fortuna, lançou-se às mais incríveis viagens, todas cheias de aventuras. 
GULIVER NA ILHA DE LILLIPUT
                 Lá pelo final do século XVII vivia na Inglaterra um médico chamado Guliver. Não tinha nenhuma credibilidade e, por isso, era pobre e não conseguia formar uma clientela. 
                 Algumas vezes embarcou para o Oriente em busca de fortuna, mas sempre regressou com com tristes recordações vividas durante as viagens. 
                 Embora já estivesse desiludido com suas viagens e tentativas de sobrevivência, a fome e dificuldades para sustentar sua família o forçaram a embarcar novamente. Era necessário tentar a sorte, ainda que fosse pela última vez. 
                 O capitão do "Impetuoso", navio de três mastros, que zarpava para os mares das Índias, ofereceu-lhe o posto de médico à bordo, e ele, que não tinha outra alternativa, aceitou. 
                 Que viagem desastrosa! Ao chegar aos mares índicos, perto da Tasmânia, uma furiosa ventania arrastou o barco para o sul e acabou despedaçando-se nuns rochedos. 
                 Guliver com alguns marinheiros conseguiram salvar-se num pequeno bote. Mas o mar estava muito violento e este também naufragou; o médico, porém, a muito custo, conseguiu salvar-se chegando a uma ilha desconhecida. 
                 Guliver era um bom nadador, mas a fúria do mar o haviam cansado muito. Vencido e fadigado deitou-se sobre a areia da praia e adormeceu profundamente.  
                  Ao alvorecer do dia seguinte, já bem descansado, acordou e resolveu levantar-se para procurar alguma coisa para comer. Mas, ao tentar o primeiro movimento percebeu que isso era impossível. Estava completamente amarrado no chão, como se o corpo e os longos cabelos tivessem criado raízes no solo. Além disso começou a ouvir um confuso rumor, como se fosse o zumbir de uma nuvem de insetos, e até sentiu que alguns lhe subiam ao peito, encaminhando-se pelo pescoço até suas face. 
                  Tudo estava muito estranho, parecendo um pesadelo. Cada vez mais assombrado, com dificuldade olhou para o lado, pois estava deitado de costas com a barriga para cima. Atônito, percebeu que junto á sua barba havia um homenzinho, cuja estatura não passaria de alguns centímetros, armado de arco e flechas. Mais de uns quarenta homenzinhos como aquele passeavam por cima de seu peito, observando-lhe a boca e os olhos como quem examina cavernas e poços estranhos. Sentia-se como um pequeno animal atacado por formigas. 
                  Diante daquilo, Guliver não pode conter uma grande exclamação: 
                  - Oh! fez ele, amirado. 
                  Assustaram-se os homenzinhos e saltaram de cima dele para o chão; tudo foi tão rápido que alguns deles, jogaram-se de qualquer maneira e até quebraram a perna. 
                  - Que gentinha estranha! dizia para si mesmo Guliver, enquanto, com grande esforço, rompia as cordas que lhe prendiam o braço esquerdo. Foi então que compreendeu oque estava acontecendo.  Em quanto dormia, aqueles homenzinhos o haviam amarrado por meio de muitas cordas finas como barbantes e presas ao chão em outras tantas estacas, formando uma espécie de rede para prendê-lo com segurança. 
                 Ao ver que Guliver estava movendo-se e agitando-se, os pequeninos pigmeus atiraram contra ele uma infinidade de flechas, do tamanho de alfinetes.  Como verificaram que o prisioneiro não se enfurecia nem desejava matá-los, ficaram tranquilos. Um deles subiu-lhe até a gravata e dali lhe dirigiu palavras em uma língua absolutamente incompreensível para ele. Guliver sentia-se como se estivesse em outro planeta e perguntava para si mesmo: 
                 - O que será que estão me dizendo? 
                 Guliver tinha naufragado perto do país de Liliput, ilha onde os homens, os animais, as árvores, eram de diminutas proporções.
                  Depois de haver livrado um lado da cabeça, o médico deu outro puxão violento e conseguiu virar-se de lado. Foi então que viu uma infinidade daqueles homenzinhos que formigavam à sua volta; ele não sentia medo, mas aquelas criaturinhas pareciam assombradas com o aparecimento de um gigante em sua terra. 
                   Logo depois viu chegar um outro personagem, um centímetro mais alto do que os companheiros. Vinha seguido de um pajem, que sustinha a cauda do seu longo manto. Ele então pensou: 
                   - Seria o rei daqueles bonequinhos tão interessantes? 
                   O personagem aproximou-se dele para falar-lhe. Mas Guliver não entendia uma só palavra. Como muitas horas já tinham se passado, estava com muita fome e fez diversos gestos, dando a entender que precisava comer alguma coisa. 
                  Para seu alívio, o chefe compreendeu perfeitamente. Passado algum tempo, veio um bando de homenzinhos trazendo cestas de alimentos, garrafas de vinho e uma grande quantidade de pequeninas frutas e até pão. 
                 Colocaram uma escada, subiram até o peito do médico e começaram a despejar alimentos naquela grande boca, que para eles até parecia um abismo; despejaram cestas e cestas de comida, carnes diversas, frutas, pães, doces, bolos, etc.; abriam também muitas garrafas de vinho e fizeram o mesmo. Os pães eram do tamanho de um chumbinho, os garrafões de vinho tinham o tamanho de um dedal de costureira. As carmes estavam muito bem temperadas e cozidas, mas eram de animais tão pequenos, que mais pareciam pequenos insetos. Colocam mais de dez pãezinhos de cada vez e junto, uma travessa bem cheia de carne. Os homenzinhos trabalhavam arduamente para alimentá-lo, como se fosse uma operação de guerra. 
                 Os liliputianos olhavam-no com enorme espanto e se perguntavam entre si: 
                 - De onde terá vindo essa criatura tão grande? 
                 O chefe, ou rei, tinha dado ordens para que o conduzissem ao interior do país, onde estava situada a capital de Lilliput. 
                 Para realizar o transporte, pôs-se em atividade uma grande quantidade de engenheiros do país, muito hábeis em mecânica. Construíram uma espécie de carro com vinte e duas rodas. Amarraram fortemente Guliver sobre o mesmo para movimentá-lo em direção à capital. O prisioneiro, que estava cheio de fome,  não percebeu, mas os espertos homenzinhos o haviam dopado com sonífero e, por isso, não tardou a adormecer. Meio sonolento, ainda pode ver que estava sendo puxado por mais de mil cavalos, tão pequenos que até pareciam camundongos. 
                 Depois de uma longa viagem chegaram finalmente às portas da capital liliputiana. Guliver começava acordar e viu que estava junto de um edifício, muito grande em comparação com os demais, poderia ser comparado ao tamanho de uma casa de cachorro. Tratava-se do templo, o maior templo dos liliputianos, e que fora destinado para seu alojamento. Para melhor poder ver a paisagem, Guliver pôs-se de pé. 
                   O espanto dos homenzinhos, ao verem-no andar foi enorme. Milhares deles não seria suficientes para lutar com ele, pois cada um, em pé, não atingia a altura do tornozelo do gigante. Pom um pequeno pontapé, Guliver poderia atirá-los para bem longe. 
                   O médico surpreendeu-se com a belíssima paisagem. Tudo estava tranquilo, belo e em ordem. Todas as coisas e animais eram proporcionais ao tamanho daqueles homenzinhos. Os bosques pareciam jardins em miniatura; os cavalos eram do tamanho de camundongos e a cidade parecia um presépio de Natal. 
                   O imperador foi imediatamente avisado sobre sua chegada e desceu para vê-lo. Depois de ter satisfeito a própria curiosidade deu ordens para que o alimentassem muito bem e lhe que lhe fosse ensinado a língua de seus país. O imperador de Lilliput era considerado delícia e terror do mundo; o mais sublime filho dos homens, a cujo menor gesto os grandes personagens do mundo caem de joelhos a seus pés.
                   Os lilliputianos, vendo que o prisioneiro era pacífico, foram adquirindo confiança nele. Subiam-lhe pelas pernas e braços, e brincavam de esconder-se nos seus cabelos. Por sua vez, o imperador também perdeu o medo, pois viu perfeitamente que o gigante não pretendia fazer-lhes nenhum mal. 
                  Num certo dia, o imperador, ordenou que seu exército desfilasse por baixo das pernas de Guliver, como se estivesse passando pelo Arco do Triunfo. 
                  Não havia mais duvidas, a corte e o povo simpatizaram-se com Guliver, a quem deram o nome de homem-montanha. E logo pediram ao rei que lhe desse plena liberdade para que pudesse passear a vontade pelo império todo. 
                  O imperador, certo de seu poderio sobre o gigante, consentiu em libertá-lo, mas mediante um pacto, nas seguintes condições: 
                  Primeira - O homem-montanha se comprometia a não sair do país sem expressa autorização do imperador de Lilliput. 
                  Segunda - Guliver seria obrigado a ajudar nos trabalhos imperiais quando fosse preciso erguer algum peso acima das forças dos pequeninos. 
                  Terceira - O homem-montanha teria o máximo cuidado de não pisar ou esmagar com os pés, durante seus passeios, nem pessoa, nem cavalos ou qualquer outro animal. 
                  Quarta - Seria aliado do imperador para combater e capturar a esquadra da ilha de Blefusco, país inimigo de Lilliput. 
                   Em  compensação, o imperador se comprometia alimentá-lo diariamente, com uma ração igual à de 1.728 soldados liliputianos. 
                Lilliput achava-se em guerra com os habitantes da ilha de Blefusco, havia mais de trinta e seis luas, por motivo nada fútil. 
                A causa da hostilidade, explicou o imperador, era a seguinte: 
                Como todos sabem, para se tomar um ovo quente deve-se abrir a casca pela parte mais arredondada, e não pela mais afilada. Os monarcas de |Lilliput, que em matéria de prudência, passavam a perna aos mais presunçosos, se haviam conformado sempre com esse costume. Mas, certo dia, um avô do imperador que, por felicidade reinava quando Guliver chegou, feriu-se um pouco quando foi quebrar , pelo lado costumeiro, a casca de um ovo. Ficou tão cismado que não quis mais ouvir falar daquele hábito de partir ovos quentes. Mandou, então, lavrar um decreto urgentíssimo, pelo qual determinava que dali em diante só se partissem cascas de ovos pela parte mais afilada. 
                Oh, céus! Esse decreto produziu uma verdadeira revolução entre os cidadãos liliputianos. Imediatamente formou-se um partido político denominado "Quebra-ovo", de fraca oposição ao decreto imperial. 
                 Houve passeatas, motins, arruaças, sangrentas repressões e até condenações à morte. Os que conseguiram fugir encontraram asilo e proteção em Blefusco. Disso resultou uma grande tensão diplomática, a que se seguiu a declaração de guerra. os Blefusquenses tinham construído um agrande esquadra e preparavam-se para invadir o país liliputiano.
                  Tudo isso foi explicado a Guliver, que se pôs à disposição do imperador para cooperar na luta. 
                  Quando fosse oportuno e necessário, ele destroçaria a frota inimiga. 
                  Antes de mais nada, Guliver quis examinar o canal existente entre o país de Lilliput e a ilha de Blefusco. Graças aos experientes marinheiros encarregados de realizar as sondagens, sou Guliver que, com a maré cheia, a profundidade era de dois metros. Soube também, por meio de hábeis espiões, que estavam prontos para zarpar, com a finalidade de invadir Lilliput, uns cinquenta galeões, com suas tripulações de guerra completas e numerosas tropas de desembarque. 
                  Então imaginou um estratagema. Esperou que a maré baixasse e foi para a beira do canal, provido de uns cinquenta cordõezinhos, tendo cada um gancho na ponta, feito uma barrinha de ferro a  que os liliputianos chamavam de viga, e que, afinal, eram como agulhas de costura. 
                   Já com tudo pronto para iniciar a nova aventura, Guliver tirou a roupa, ficando apenas de calção, atirou-se à água e foi nadando a grandes braçadas em direção dos navios de guerra inimigos. Quando chegou a uns cem metros de distância, já estando em lugar onde a profundidade do canal permitia, tomou pé no mar e ficou em pé diante dos pequenos navios. Parecia uma torre humana em frente à tranquila enseada onde estavam ancorados os navios. 
                  Um clamor desesperado se ergueu da frota e das praias. Os pequenos marinheiros e a tropa de desembarque, ao verem aquela montanha viva que avançava mar a dentro, agitando a água e formando ondas, puseram-se em fuga, rápidos como siris, abandonando os navios, para alcançar a praia a nado, dirigindo-se para o ponto onde o rei de Blefuso e o povo assistiam, aterrorizados, ao espantoso acontecimento. 
                    A única reação contra o avanço do gigante foi uma chuva de setas, que lhe caiu sobre o corpo. Mas eram como pequena agulhas, incapazes de ferir-lhe; além disso Guliver estava com os olhos protegidos por os óculos, que sempre levava em seu bolso. 
                    Avançou decidido, aproximando-se da esquadra ante a consternação geral dos blefusquenses. Chegando às pequenas naves enganchou-as em cordões que trouxera e em seguida tomou o rumo de volta, arrastando-as pelo canal. 
                    Guliver achava tudo aquilo uma loucura, mas ele queria mesmo é que os rivais voltassem à paz. 
                    Quando chegou de volta foi recebido com grande euforia e aplausos. É impossível descrever o delírio de alegria que se apoderou dos liliputianos quando viram a aproximação do gigante aliado, arrastando com uma só mão toda a esquadra inimiga. 
                     O imperador foi recebê-lo na praia e expressou sua grande satisfação, nomeando-o imediatamente Narda, isto é, "Grau de Comilão da Ordem Imperial da despensa e da Cozinha". E isso, sem dúvida, era muito importante para Guliver, que naquele momento já estava cheio de fome. 
                     Depois de tão extraordinária façanha, o médico tornou-se  um dos favoritos da corte. Tinham sido contratados mais trezentos cozinheiros, cada um dos quais tinha a obrigação de preparar-lhe dois pratos diariamente. Para confeccionar roupas destinadas ao "homem-montanha" foi recrutado um verdadeiro exército de alfaiates. 
                     A guerra havia acabado, mas, como todo mundo sabe, as cortes são verdadeiros ninhos de inveja, despeitos e intrigas. Guliver não tardou a ser vítima de dissimulados amigos, de fingidos servidores imperiais e falsos ajudantes. Não demorou muito para formar-se, no palácio, um verdadeiro partido contra ele, principalmente composto de homens do governo e militares. estes sentiam-se desprestigiados e humilhados com a fácil prisão de toda a frota de guerra inimiga e a total vitória de Guliver sobre Blefusco.
                     Não demorou muito para que dois ministros, de combinação com outros despeitados, levantassem uma grave acusação contra o gigante, denunciando-o como traidor e conivente com o rei inimigo, a quem desejava, afirmavam, fazer uma visita de cordialidade. Também o acusaram de irreverência contra a corte, por ter apagado subitamente um incêndio numa dependência do palácio, com um jorro líquido que não era água pura... Diziam também que ele tinha desobedecido a uma ordem do rei e outras coisas mais. 
                    Apresentada a acusação e convencido o imperador da culpabilidade do gigante, fez correr contra ele um processo que terminou com a seguinte sentença: o homem-montanha merecia a pena de morte. Mas, por uma especial clemencia de Sua majestade, o Imperador, que levava em consideração seus méritos passados, a pena lhe foi comutada e ele então foi condenado a perder a visão. 
                   É claro que nada daquilo assustava Guliver que pensou: 
                    - Que imbecis! exclamou Guliver, quando soube da sentença condenatória. 
                    Sem lhes dar tempo a que pusessem em execução a tal sentença, foi para a beira do mar, apoderou-se de uma daquelas canoas que os liliputianos chamavam de galeões, colocou nela suas roupas e se dirigiu a nado, arrastando a canoinha, para o outro lado do canal, até a ilha de Blefusco. 
                    Chegando lá, apesar dos ressentimentos pelo seu procedimento em relação á frota de guerra, foi magnificamente recebido. É que a corte, que já tomara conhecimento sobre sua poderosa força, desejava seus extraordinários serviços, queria t~e-lo como aliado para o que desse e viesse... Mas Guliver, já experiente quanto á ingratidão e intrigas próprias das cortes, não quis saber de nada com o rei da ilha e seus bajuladores cortesões. 
                    Aconteceu que, num certo dia, quando andava pela costa do mar, viu ali perto um bote de verdade, para homens com seu tamanho. Logo imaginou que ele tinha se desprendido de algum navio que naufragara. Sem pensar em mais dada, embarcou no bote e, pouco depois, foi recolhido por um navio cargueiro que voltava para o japão. Pode, então, finalmente, voltar para casa e retomar sua vida normal. 
                    Repatriado, custou muito a esquecer dos hábitos adquiridos em Lilliput, onde vivia sempre preocupado em não esmagar com os pés aqueles pequenos seres humanos. Por muitas vezes, caminhando pelas ruas, pensava que ainda estava em Lilliput e gritava aflito: 
                    - Afastem-se! Deixem-me passar! Cuidado, senão eu os esmago! por causa dessas atitudes, o povo pensava que ele era louco. Mas, aos poucos, sua vida voltou ao normal. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O REI A ÁGUIA E O CAÇADOR - Por Nicéas Romeo Zanchett



O REI A ÁGUIA E  O CAÇADOR
Fábula adaptada por 
Nicéas Romeo Zanchett 
                 Era uma vez, um caçador que encontrou, no ninho, um filhote de águia da espécie "milhafre"  e resolveu doá-lo ao rei. Como se tratava de um animalzinho raro, achou que sua majestade ficaria muito feliz com o presente. 
                 Realmente o rei ficou feliz, mas quando o apanhou este lhe cravou as garras no nariz, sem se preocupar de estar ferindo uma majestade. 

                  O rei, para não demonstrar fraqueza,  visto que é o todo poderoso, ficou calado e sem gritar pela dor que sentia. 
                  Empoleirado no nariz do rei, o pássaro ficou quieto, como se estivesse curtindo a sua dor. Seu dono o chamava, gritava, mostrava-lhe o punho que poderia castigá-lo, mas nada o fazia mexer-se ou soltá-lo. Tentar tirá-lo dali à força seria a forma mais certa de causar maior sofrimento para o rei. 
                  Emfim, a pequena águia resolveu largar o nariz do rei. E este disse aliviado: 
                  - Deixai que os dois vão em paz. Que saiam daqui, seja como for. 
                  Foi um milagre que sua majestade não tenha mandado os dois para a guilhotina. A corte ficou pasma, sem entender a bondade do rei. Os cortesões não cessaram de exaltar o tal feito do atrevido caçador. Poucos reis seriam capazes de tal atitude. 
                   O caçador, que pensava com este presente receber em troca benefícios que poderiam torná-lo rico, teve de deixar imediatamente o palácio. A ave de rapina nunca fora educada para estar junto a um rei e tudo deu errado. E assim o simplório caçador voltou para casa envergonhado e sem esperança. Mas, como lucro, teve sua vida poupada. 


MORAL DA HISTÓRIA: É mais fácil encontrar um simplório caçador do que um rei indulgente. 
Nicéas Romeo Zanchett 






terça-feira, 6 de agosto de 2013

O CHACAL E O LEÃO - Adap. Nicéas Romeo Zanchett


O CHACAL E O LEÃO 
Adaptação: Nicéas Romeo Zanchett 
                Durante um forte verão africano, quando as temperaturas atingiram picos de calor, secaram todos os rios e os animais não tinham água para beber. Vagavam pelas planícies sem rumo, e depois de muito caminhar encontraram uma pequena fonte; mas quase não tinha água. 
                - Vamos nos unir e cavar um grande poço, disse o leão, e assim teremos água suficiente para todos bebermos. 
                O chacal, que era muito folgado e preguiçoso, negou-se a trabalhar com os outros animais; estes, quando concluíram o trabalho, disseram: 
                - Nosso poço está pronto , mas agora precisamos vigiar o poço para que o chacal não venha beber nossa água, pois sua preguiça não o deixou nos ajudar. 
                - Eu me encarrego disso, falou o leão; e se esse preguiçoso folgado vier beber  uma única gota, dou cabo dele. 
                 Depois de algum tempo chegou o chacal e começou a brincar alegremente em volta do poço. Sentou-se ao lado do leão, e sem beber uma única gota de água, tirou do bolso um bom pedaço de excelente favo de mel, e disse:
                  - Como pode ver, senhor leão, não estou com sede. Olhe só que mel delicioso eu trouxe comigo! 
                  - Deixe-me provar, disse o leão. 
                  E o chacal deu-lhe um pouco do mel para provar. 
                  - Que mel maravilhoso! acrescentou o leão. Dê-me mais um bocadinho, meu caro amigo chacal. 
                  - Naturalmente! meu predileto amigo. Mas para melhor apreciar seu doce sabor deve ditar-se de costas e deixar que eu lhe coloque na boca, respondeu o chacal. 

                  Sem pensar duas vezes, o leão deitou-se logo de costas e começou a agitar as peludas patas, imaginando o delicioso banquete que lhe seria dado em seguida. 
                  - Tenho medo que me faça algum mal com suas grandes unhas, disse o chacal. Deixe-me amarrar-lhe as patas e assim poderei me aproximar melhor para servir-lhe o mel na boca, sem nenhum receio. 
                  Então o leão  deixou que o chacal olhe amarrasse as patas com uma grossa corda; mas o chacal, em vez de lhe dar o mel que prometera, correu logo para o poço e bebeu água até se fartar. 
                  O leão ficou olhando, mas quando viu que já estava saindo em direção à sua casa, falou-lhe logo: 
                  - Senhor Chacal! Senhor Chacal! Querido Senhor Chacal! está esquecendo de mim; não me deixe aqui com as patas amarradas. Todos os animais irão rir de mim e perderei minha autoridade de rei da selva. Pela honra de meu nome, sempre deixa-lo-hei beber quanta água queira se imediatamente me der a liberdade. 
                  Então o chacal pensou: - se eu não libertar o leão, qualquer outro o fará e o  rei dos animais não descansará enquanto não se vingar de mim. Será melhor confiar na palavra dele  e libertá-lo antes que chegue alguém. 
                  O chacal aproximou-se do leão, deu-lhe um pouco de mel e o libertou,  como haviam combinado anteriormente. 
                  E cumprindo a palavra de rei, o leão deu ordem a todos os animais que sempre deixassem o chacal beber quanta água quisesse. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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Moral da história: Muitos prometem o que não desejam cumprir. Os espertalhões usam sua inteligência para enganar e tirar vantagens.
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quarta-feira, 31 de julho de 2013

O CÃOZINHO QUE ENFRENTOU O LOBO - Nicéas Romeo Zanchett

O CÃOZINHO QUE ENFRENTOU O LOBO 
Nicéas Romeo Zanchett 

                Havia um  lenhador que morava com sua linda esposa Lídia e seus dois filhos, João e Márcia, num bosque da Normandia. Sua esposa era muito dedicada e cuidava bem dos filhinhos. 
                Todos os dias, ao amanhecer, o lenhador saía para o interior do bosque à procura de lenha para vender na cidade. 
                 O bosque onde viviam era fechado e nele havia muitos animais perigosos. Por esse motivo, a mãe nunca deixava que seus filhos saíssem de perto dos seus olhos. O filho era moreno, de cabelos castanhos, tinha apenas oito anos e era muito inteligente; a filha era clara e com cabelos loiros como os da sua mãe, tinha apenas 10 anos e já era muito linda e esperta. 
                 Numa certa manhã, quando o pai saia para o trabalho, os dois pequenos insistiram tanto para acompanha-lo que, mesmo contrariada e preocupada, sua mãe acabou consentido. No seu coração havia um pressentimento que não lhe agradava, mas confiou que os anjos da guarda cuidariam de seus filhinhos. 
                 - Está bem! disse a mãe, mas levem o nosso cãonzinho totó com vocês; assim estarão mais seguros. 
                  - Mais seguros como? disse o pai. Totó é um cãozinho que só serve para comer e dormir; se pelo menos fosse um animal grande, poderia defender nossos filhos. 
                 Depois de prepararem um bom lanche, lá se foram bosque a dentro, sempre acompanhados de seu cãozinho de estimação chamado totó. O pai não tardou a se embrenhar na mata fechada, onde sempre tirava o sustento da família. Os dois filhos ficaram para trás, num campo aberto,  em companhia do cãozinho. 
                 O tempo passou sem que percebessem e, mesmo contrariando as orientações que receberam da mãe  para que não se afastassem muito,  os dois resolveram ir ao encontro seu pai. 
                 Foram caminhando por uma antiga trilha que o experiente lenhador costumava usar. Seu cãozinho lhes acompanhava de perto, sempre atento ao menor barulho. E lá se iam os três, sem a menor preocupação. 
                  Mas, de repente, ouviram um terrível uivo de algum animal da selva. Parecia o uivo de um cão muito grande. O cãozinho totó logo levantou as orelhinhas e ficou quietinho escutando; parecia estar tentando descobrir de onde vinha aquele assustador ruído. 

                 As duas crianças sentiram muito medo, mas sabiam que seu pai deveria estar por perto e, certamente, também estaria ouvindo o ruído daquele apavorante animal. Pensaram em voltar correndo para casa. No entanto, seu cãozinho totó saiu em disparada, rumo ao interior do bosque. Os dois temeram pela vida do pequeno animal, que, por certo, nem sabia o que estava fazendo e nem o que iria enfrentar. 
                 Resolveram que o melhor seria seguir o animalzinho para, e traze-lo de volta para casa, como estavam pensando fazer. Afinal, era a primeira vez que os três saíam para tão longe e o cãozinho, que lhes era muito querido, poderia correr algum risco e nem mais voltar. 
                 Mas eles não conseguiam acompanhar o totó, que corria muito rápido, pulando entre as plantas da floresta. Mesmo assim foram seguindo e, de repente, à sua frente estava um terrível lobo que os queria devorar. O animal era muito grande, e tinha dentes pontudos e perigosos; capazes de rasgar alguém em pedaços. O lobo, começou a rosnar de forma ameaçadora, e foi aproximando-se cada vez mais. Contudo, o que parecia impossível aconteceu; totó partiu em direção ao lobo para enfrentá-lo e defender seus donos.
                   Totó era uma cãozinho realmente muito pequeno, principalmente quando comparado ao tamanho de um lobo. Mas ele não se intimidou e aproximou-se da perigosa fera; parecia disposto a dar vida em defesa das crianças que amava. Apesar de pequeno, tinha uma vantagem, pois era muito rápido nos seus movimentos. A luta começou e o lobo tentava a todo o momento dar uma mordida fatal em totó, mas este sabia esquivar-se e sempre saia das investidas da fera. 

                  As duas crianças, diante daquela cena, estavam apavoradas e gritavam muito chamando pelo seu pai. 
                  Em pouco tempo, o lenhador, que ouvira os chamados dos filhos, chegou e foi logo enfrentar o perigoso animal. Trazia em sua mão uma machadinha que costumava carregar sempre consigo pela mata. Totó continuava lutando e o lobo agora tinha dois adversários a enfrentar. Não demorou muito para que o lenhador lhe acertasse uma machadada nas costas. A fera deu um terrível grito e caiu morta ali mesmo. 

                  Depois que o perigo passou, o pai das crianças foi tranquiliza-las, mas antes examinou os ferimentos que totó tinha sofrido durante a luta. O lenhador teve o cuidado de levar totó no colo até em casa, onde carinhosamente cuidou dos seus ferimentos. 
                  Todos da família amavam totó, mas nunca haviam imaginado que seria seu herói, e  o amor por ele ficou ainda maior. Era mesmo um maravilhoso e fiel companheiro que corajosamente combateu um lobo defendendo a vida de seus donos João e Márcia. Ninguém sabe o que teria acontecido, se totó não estivesse ali naquele momento.
                  A partir desse dia os dois filhos passaram a ficar sempre mais próximos da casa, onde sua mãe poderia lhes proteger de qualquer perigo. 
                  Totó, muito bem tratado, melhorou rapidamente dos ferimentos e nunca mais saiu de perto de seus protegidos. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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segunda-feira, 29 de julho de 2013

A FILHA DO REI NO CASTELO ENCANTADO - Nicéas Romeo Zanchett


A FILHA DO REI NO CASTELO ENCANTADO 
Contos Antigos
Por 
Nicéas Romeo Zanchett 


                  Havia na Europa, um poderoso rei que tinha três filhas; todos eram lindas, mas a mais nova, chamada Psique, era de rara formosura. Quando ela passava pela rua todos a cobriam de  flores. 
                   Chegou o dia em que ela deveria casar-se. Suas duas irmãs, que não eram tão belas, já haviam casado, mas nenhum jovem se atrevia se aproximar dela.   O rei recebeu o aviso de uma fada que lhe disse:
                    - Deve  leva-la para uma montanha onde há um castelo encantado, e lá deixa-la sozinha para que nada de mal lhe aconteça, pois ela corre risco de morte por ser muito bela. 
                    Quando tomou conhecimento desse fato o rei não gostou, pois amava todas as suas filhas e queria tê-las sempre por perto.
                    Os moradores do reino também ficaram preocupados com o destino da princesa.
                    - Oh! se isso acontecer, a nossa querida Psique vai ser sacrificada. 
                    Todos diziam que ela era mais bela que a própria Vênus da Grécia. E olha que esta era considerada a deusa da beleza. 

                     Quando soube do que diziam, Vênus ficou irritadíssima. Ela tinha um filho chamado Cupido ; mandou-o vir à sua presença e deu-lhe uma ordem; deveria ir àquele reino e casar Psique com o homem mais feio da terra. Como todos sabem ninguém consegue resistir uma flechada de cupido; todos que passaram por isso se apaixonaram perdidamente pela pessoa que, naquele momento, estava em sua companhia. 
                      Mas o rei, temendo pela felicidade de sua filha, acabou concordando e Psique foi conduzida para a montanha, onde deveria ficar escondida. 
                      Quando já estava lá, soprou um vento mágico que a conduziu para um lindo palácio, onde ficou aos cuidados de bons espíritos invisíveis que tocavam melodias encantadoras e lhe serviam deliciosos manjares. 

                      À noite, quando Psique já estava dormindo, o Cupido foi até lá cumprir as ordens de sua mãe. Mas quando estava junto dela descuidou-se e acabou ferindo-se com a ponta de sua flecha; imediatamente apaixonou-se por Psique.  Então ela começou a ouvir palavras cheias de ternura e amor. Ficou tão encantada que concordou em ser a esposa daquele homem que as pronunciava ao seu ouvido. 
                      Ele lhe disse: 
                      - Psique, podes viver como mais te agradar neste palácio que construí para ti, mas tenho uma condição: que nunca queiras ver o meu rosto. 
                       Ela concordou e então casaram-se, mesmo sem seu pai saber. 
                        Na imaginação de Psique, seu esposo era muito feio, mas era tão terno e amável que apaixonou-se por ele, mesmo sem poder vê-lo. No entanto, só aparecia de noite. Assim, Psique, passava os dias sozinha e sentia muita solidão. 
                       Numa certa ocasião, um vento mágico levou até ela as suas duas irmãs. Elas tinham inveja de Psique e souberam que, por ordem de Vênus, o Cupido a tinha feito casar com um monstrengo. Queriam ver se era mesmo verdade.

                       Foram ter com sua irmã e lhe disseram: 
                        - Todos dizem que seu marido é um monstrengo;  é por isso que ele não quer que vejas seu rosto. 
                       No noite seguinte, Psique quis saber a verdade; acendeu uma lamparina e foi olhar o rosto do seu marido enquanto este dormia. Viu que era o próprio Cupido, o espírito alado e radiante de amor.  Ficou tão feliz que, ao levantar bem alto a lamparina, deixou cair uma gota de azeite quente em seu rosto, despertando-o imediatamente. 
                     - Que pena Psique! exclamou o jovem. Teremos de nos separar, pois agora minha mãe ficará sabendo que me apaixonei por ti e descumpri sua ordem de casá-la com um monstro. Adeus! 

                     E imediatamente abriu as asas e fugiu voando. 
                     Na manhã seguinte, muito triste, Psique tomou coragem e resolveu procurá-lo. 
                     Depois de muito vagar pelo mundo chegou finalmente ao palácio de Vênus, onde se propôs a ser uma criada. Mas Vênus já sabia de tudo e deu-lhe os trabalhos mais terríveis para fazer. Era uma forma de vingar-se e fazendo-a morrer de tanto trabalhar. 
                     No entanto, Psique era sempre muito boa com todos que a conheceram; vivia muito só e seus companheiros lhe tinham muita pena. Para amenizar sua dor, passaram a ajudá-la com suas difíceis tarefas. 
                     Vênus ficou sabendo de tudo e traçou um outro plano para vingar-se. 
                     - Toma este cofrinho de ouro, disse-lhe ela; leva-o à rainha dos mortos e peça-lhe que o encha com a poção mágica da beleza. 
                     Psique já sabia que ninguém conseguia voltar da terra dos mortos e no desespero subiu a uma torre de pedras, bem alta, para de lá atirar-se ao chão e morrer; mas as próprias pedras, tomadas de compaixão por ela, disseram-lhe: 
                     - Não fique desesperada. Acharás um caminho que a levará até a terra dos mortos pela  montanha azulada.  Vá até lá, mas deve levar duas moedas  de cobre na boca e duas tortas de mel  nas mãos. 

                     Psique assim o fez, cheia de esperança. Depois de muito caminhar chegou à terra dos mortos. Lá encontrou um barqueiro que a fez atravessar o rio da morte, e pelo trabalho recebeu uma das moedas de cobre. 
                      Em seguida, continuando sua caminhada, encontrou um cão horrível que tinha três cabeças; mas ela lhe deu uma torta de mel e este a deixou passar livremente. 
                      Chegou finalmente à rainha dos mortos. Explicou-lhe as razões que a tinham levado até ali. Esta imediatamente encheu o potinho de ouro com a tal poção e,  em pagamento, Pisque deu-lhe a outra moeda de cobre e a torta de mel que trouxera. A rainha dos mortos ficou muito feliz e comovida, mas não disse nada,  deixando que Psique voltasse a ter com Vênus. 
                      Com o cofrinho de ouro cheio de poção da beleza, por curiosidade, Psique abriu o estojo para ver  o que seria a tal poção. Era exatamente isso que Vênus esperava. O estojo estava cheio de vapores venenosos, os quais envolveram todo o rosto de Psique fazendo-a desmaiar; mas Cupido, que a tinha seguido, foi imediatamente em seu socorro; e dissipando todos os vapores do rosto da jovem, tomou-a nos braços e levantou voo com ela. Juntos voaram por muito tempo, até chegarem à Terra da Imortalidade, e ali viveram felizes para sempre. 

 Nicéas Romeo Zanchett