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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O PATINHO FEIO e A VIDA DE CHRISTIAN ANDERSEN

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Adaptação de Nicéas Romeo Zanchett 
A história real do autor de "O Patinho Feio"
                    Hans Christian Andersen nasceu em Odense, na Dinamarca, a 2 de abril de 1805. Seu pai era sapateiro de condição humilde, mas tinha grandiosos sonhos. Alistou-se como soldado para lutar ma guerra napoleônica e um ano mais tarde voltou doente, morrendo logo em seguida. A família ficou na miséria.
                    A mãe de Christian casou-se novamente e o abandonou, tendo ele de virar-se sozinho pela sobrevivência. 
                    Christian era muito sensível, arredio e tinha dificuldade de adaptar-se a qualquer ofício. Gostava de estudar, mas teve de abandonar seus estudos por falta de recursos. 
                    Aos 14 anos de idade Andersen era um rapazinho solitário, assustado com o mundo em que vivia e sem nenhuma ideia de que rumo deveria tomar. Era um verdadeiro "Patinho Feio". 
                   Nessa época, uma companhia teatral, que percorria o interior da Dinamarca, apresentou-se em Odense. Christian Andersen não perdeu um único espetáculo da temporada. Quando a companhia foi embora Andersen já tinha tomado a sua decisão: ia embora também. 
                  Com alguns trocados no bolso e uma carta de recomendação tomou o caminho de Copenhague. A capital dinamarquesa era bem diferente do seu mundo e de seus sonhos. Por diversas vezes tentou aproximação com o mundo teatral, mas não teve êxito. Os atores e empresários que procurou não simpatizavam com sua aparência tímida e desajeitada. O próprio diretor do Teatro Geral disse-lhe que não havia oportunidade para um ator alto, magro e inexperiente como ele. 
                  Em vão, tentou os estudos de balé, mas como bailarino revelou-se uma total negação. Sua lista de tentativas, fracassos e decepções era interminável, mas Andersen não deixou que abatessem seu ânimo. 
                  Sentia-se cada vez mais atraído pelo teatro e insistia em escrever peças. Quando tudo parecia perdido, duas de suas peças chegaram às mãos de Jonas Collin, que era conselheiro do Estado. Finalmente alguém demonstrou interesse e lhe deu uma bolsa de estudos. 
                  Os próximos seis anos seguinte, que foram os mais estáveis de sua vida, passou como estudante na escola de Slagelse. Mesmo ali sentia-se constrangido entre os colegas que eram bem mais jovens que ele. 
                 Apesar do seu  mal estar junto aos colegas, dedicava-se com muito empenho aos estudos. Ao deixar a escola já tinha 22 anos. 
                Mesmo com algum estudo a vida continuava difícil. A crise financeira se aprofundava, mas ele não desistia. Voltou toda a sua energia para a literatura escrevendo algumas histórias infantis, baseadas no folclore dinamarquês. Pela primeira vez em sua vida surgia uma luz no fim do túnel: seus contos fizeram sucesso. 
                Foi neste contesto de adversidade extrema que ele parodiou sua própria vida escrevendo "O Patinho Feio". 
ADAPTAÇÃO DA HISTÓRIA ORIGINAL

               " Um vento frio e impiedoso soprava por toda a parte, derrubando as folhas das arvores  e tangendo as nuvens escuras, carregadas de neve e granizo. Chegava o outono. Tempo cruel para um patinho desprotegido. 
               Certo dia passou pelo céu um bando de grandes aves de pescoço longo, gracioso e plumagem muito branca. Voavam tão alto que dava vertigem de olhá-las. Eram cisnes que rumavam para o sul, em busca de terras mais quentes, deixando para trás a melancolia do inverno que se aproximava. 
              O patinho rejeitado não sabia que aves eram e nem para onde iam. Mas nunca vira nada tão lindo e sentiu por elas uma admiração sem limites. à noite, sonhou fazer parte do bando e ser igual àquelas criaturas fortes e tranquilas.

               O inverno veio rigoroso e demorou a passar. O patinho sofreu terrivelmente. Abrigado entre os juncos de uma lagoa. Durante longos meses ele aguardou o retorno do sol. Por fim, um dia a cotovia cantou e o sol se mostrou por entre as nuvens. Era a primavera chegando. 
               Aliviado, o patinho bateu as asas e notou que elas se moviam com energia e o transportaram facilmente sobre o juncal. Mas a alegria da descoberta terminou de repente, quando surgiram do juncal três formosos cisnes, com sua majestosa plumagem eriçada. A beleza daquelas figuras fez voltar a melancolia do enjeitado. Tinha vontade de juntar-se ao bando, mas não conseguia controlar o medo. Achava que sua feiura os ofenderia. Entretanto, acabou se decidindo; preferia morrer atacado por eles do que viver passando fome durante o inverno, maltratado pelos outros patos, bicado pelas galinha e enxotado pela moça que cuidava do galinheiro.
              Reunindo toda a sua coragem, voou até a água e nadou em direção aos três desconhecidos. Assim que o viram os cisnes vieram ao seu encontro batendo as asas. Resignado à morte, ele esperou de cabeça baixa. Então viu refletida na água a sua própria imagem. Quase não acreditou na visão; não era mais um bicho mirrado, feio e sem graça. Tornara-se grande e muito bonito. Deixara de ser um patinho e tornara-se um belo cisne.  
                 Embora adulto, Andersen encarava o mundo pelo mesmo ângulo que as crianças, e justamente por isso se exprimia numa linguagem ao mesmo tempo atraente e acessível ao espírito infantil. A riqueza de sua imaginação conseguia dar aspectos surpreendente às coisas mais corriqueiras e permitia-lhe criar enredos encantadores a partir de um botão, uma colher ou um soldadinho de chumbo.  
                 Seus contos se divulgaram, dando-lhe finalmente a fama que ela procurara em vão durante tanto tempo. 
                 Tendo começado do nada, Christian Andersen transformara-se uma personalidade aclamada em toda a Europa. Seus contos percorriam o mundo. Quando regressou ao seu país, vinha carregado de glória e sua chegada foi festejada pela Dinamarca inteira. 
                 Só após toda uma vida de luta contra a solidão, o frio e a fome, Andersen se viu cercado de amigos. E foi entre eles que morreu em 1875, quando tinha setenta anos de idade. 
                 A vida de Christian Andersen é um exemplo de perseverança e dedicação a uma causa de amor à arte e a literatura. Ele nos mostrou que para sermos entendidos precisamos falar a linguagem dos nossos ouvintes. 
                Pense nisto, nunca desista e deixe que o tempo mostre ao mundo o cisne que existe em você. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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